O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio judicial de imóveis apontados pela Polícia Federal como parte de um suposto esquema de pagamento de propina envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
A decisão foi assinada em 16 de abril, mesma data em que Paulo Henrique Costa teve a prisão decretada no âmbito da Operação Compliance Zero. O conteúdo da medida permaneceu sob sigilo até agora.
Segundo as investigações, Vorcaro teria utilizado fundos de investimento e empresas interpostas para transferir imóveis ao ex-dirigente do BRB. O valor estimado dos bens alcança cerca de R$ 146,5 milhões.
Um dos imóveis bloqueados é um apartamento de 564 metros quadrados localizado no condomínio Heritage, em Brasília, considerado um dos empreendimentos residenciais mais luxuosos da capital federal.
O imóvel foi adquirido pela empresa Allora S.A., dirigida por Hamilton Suaki, cunhado do advogado Daniel Monteiro — também preso na Operação Compliance Zero. O apartamento pertencia anteriormente ao empresário Henry Visconde, controlador da rede de concessionárias de luxo Eurobike.
De acordo com os documentos obtidos pela investigação, a Allora comprou o imóvel por R$ 37 milhões em fevereiro de 2025 por meio de contrato particular. Meses depois, o apartamento foi revendido à Araguaia Empreendimentos Ltda. por R$ 15 milhões, valor inferior à metade do montante inicialmente pago.
A empresa Araguaia Empreendimentos pertence aos irmãos Leandro e Leonardo Martins de Almeida e já havia sido alvo da Operação Onzena, deflagrada pela Polícia Federal em 2018 para investigar suspeitas de agiotagem e lavagem de dinheiro.
A decisão de Mendonça determinou a indisponibilidade do imóvel, impedindo sua venda sem autorização judicial.
Outro bem atingido pela medida é um apartamento de 207 metros quadrados no Residencial Ennius Muniz, também em Brasília. O imóvel foi adquirido pela Chesapeake S.A., outra empresa administrada por Hamilton Suaki.
Segundo a investigação, o contrato de compra e venda foi firmado por R$ 4,6 milhões em janeiro de 2025, um dia antes de uma empresa ligada a Daniel Vorcaro efetuar pagamento inicial de R$ 2,33 milhões.
Apesar da negociação, o apartamento continua registrado em nome da incorporadora responsável pelo empreendimento, mas também foi tornado indisponível pela Justiça.
A Polícia Federal investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e fraudes financeiras relacionadas ao caso Banco Master. As apurações seguem sob supervisão do STF.