Produtora de Dark Horse nega uso de emendas e ligação financeira com Vorcaro
Karina Ferreira da Gama afirma que filme foi financiado com recursos privados, enquanto STF apura possíveis conexões entre o projeto e operações atribuídas ao ex-dono do Banco Master
Por: Redação
15/09/2026 às 07:32

Foto: Reprodução
A produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), negou que a produção tenha recebido recursos de emendas parlamentares ou dinheiro diretamente relacionado ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Em entrevistas à CNN Brasil, realizadas antes da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de retirar o sigilo de parte da investigação, Karina afirmou que a produção foi financiada exclusivamente com capital privado.
Produtora diz que foi contratada por fundo de investimento
Segundo Karina, a produtora foi contratada pelo Havengate, apontado por ela como investidor inicial do projeto. A empresária afirmou que não integrava o fundo e que não tinha participação em sua estrutura.
A relação entre Vorcaro e o Havengate, contudo, está entre os pontos analisados pelo STF. Conforme a delação do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, sete transferências que totalizaram US$ 12,3 milhões teriam sido realizadas para o Havengate Development, no Texas, entre janeiro e setembro de 2025.
Segundo o relato do delator, os pagamentos teriam sido determinados por Vorcaro após pedidos do senador Flávio Bolsonaro (PL). A própria reportagem ressalta que a homologação da delação não comprova, isoladamente, as acusações apresentadas por Freixo Júnior.
Karina declarou ainda que o orçamento inicialmente previsto para Dark Horse era de US$ 24 milhões, mas o custo final ficou em US$ 13,3 milhões. De acordo com a produtora, todo o montante utilizado na realização do filme teve origem privada.
Karina também rejeita financiamento por emendas
A produtora negou que emendas parlamentares tenham sido utilizadas para custear a produção.
Ela explicou, porém, que entidades sob sua presidência receberam recursos de emendas destinados a projetos sociais. Um desses repasses, destinado em 2023 e pago em 2025, teria sido utilizado no projeto “Lutando pela Vida”, voltado à prática de artes marciais por crianças, adolescentes e idosos.
A distinção entre esses recursos e o financiamento de Dark Horse está no centro de uma das frentes da investigação conduzida pela Polícia Federal.
PF investiga possível uso irregular de recursos públicos
A Operação Make Up, deflagrada em 10 de setembro, investiga a possível utilização irregular de emendas parlamentares em contratos relacionados às atividades de empresas e entidades ligadas a Karina.
O caso possui duas frentes no STF. A investigação relatada por Flávio Dino trata da possível utilização irregular de emendas. Já o procedimento sob relatoria de André Mendonça apura os repasses atribuídos a Vorcaro e sua eventual relação com o financiamento do projeto.
As declarações da produtora, portanto, contrastam com as hipóteses investigadas pelas autoridades, que ainda buscam esclarecer a origem dos recursos e as conexões financeiras envolvendo o filme.
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