Endividamento das famílias atinge recorde histórico e supera 80% no Brasil
Alta acontece às vésperas do lançamento do Desenrola 2.0 e expõe pressão dos juros elevados sobre consumidores
Por: Redação
09/05/2026 às 08:33

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
O percentual de famílias brasileiras endividadas alcançou 80,9% em abril de 2026, o maior nível da série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Os dados foram divulgados pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
O índice subiu 0,5 ponto percentual em relação a março, quando estava em 80,4%, marcando o quarto recorde consecutivo registrado pela pesquisa. O cartão de crédito segue como principal fonte de endividamento das famílias brasileiras, seguido por carnês de lojas e crédito pessoal.
O avanço ocorre na véspera do lançamento do programa Desenrola 2.0, que será anunciado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como nova tentativa de renegociação de dívidas da população.
Além do aumento do endividamento, os dados apontam deterioração da inadimplência. O percentual de famílias com contas em atraso chegou a 29,7% em abril, acima dos 29,1% registrados no mesmo período do ano passado. Já o índice de consumidores que afirmam não ter condições de pagar as dívidas vencidas permaneceu em 12,3%.
Entre os inadimplentes, quase metade acumula débitos atrasados há mais de 90 dias. O tempo médio de atraso ficou em 65,1 dias.
O levantamento também mostrou crescimento do endividamento em todas as faixas de renda. Entre famílias que recebem até três salários mínimos, 83,6% possuem dívidas e 38,2% estão com pagamentos atrasados. Mesmo entre os lares com renda superior a dez salários mínimos, o índice de endividamento chegou a 70,8%.
Em meio ao cenário econômico pressionado, o governo federal tem intensificado discursos sobre redução das dívidas das famílias. Recentemente, Lula chegou a cobrar publicamente o ministro da Fazenda, Dario Durigan, para que buscasse soluções para o problema do endividamento no país.
Segundo a CNC, os juros elevados continuam sendo um dos principais fatores para a manutenção do alto nível de comprometimento financeiro das famílias. A taxa Selic atualmente está em 14,5% ao ano.
O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, afirmou que a expectativa de redução mais lenta dos juros deve prolongar o cenário de pressão financeira sobre os consumidores brasileiros nos próximos meses.
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