Opositor afirma que fim das eleições consolida autocracia na Nicarágua
Ex-candidato Juan Sebastián Chamorro acusa regime de Daniel Ortega de eliminar a democracia e defende ampliação das sanções internacionais
Por: Redação
24/07/2026 às 08:43
Foto: Reprodução
O ex-candidato à Presidência da Nicarágua Juan Sebastián Chamorro criticou a decisão do governo de Daniel Ortega de extinguir as eleições no país e afirmou que a medida consolida o caráter autocrático do regime. Exilado nos Estados Unidos, o opositor declarou que a mudança representa o aprofundamento do autoritarismo nicaraguense.
Em entrevista à CNN Brasil, Chamorro afirmou que até países frequentemente criticados por suas restrições políticas mantêm processos eleitorais formais, diferentemente da decisão anunciada por Ortega.
"Até países como Coreia do Norte ou China, que estão longe de ser democráticos, realizam eleições regularmente. Ortega disse que isso acabou."
Chamorro também acusou Daniel Ortega e Rosario Murillo, copresidente da Nicarágua, de utilizarem prisões e exílios para impedir a atuação de adversários políticos. O próprio opositor foi preso durante o processo eleitoral de 2021, deportado e teve a nacionalidade revogada, além de bens confiscados pelo governo. Atualmente, vive nos Estados Unidos.
Integrante da Coalizão Democrática Nicaraguense, Chamorro afirmou que a decisão do governo evidencia, diante da comunidade internacional, a natureza do regime comandado por Ortega. Segundo ele, o momento deve servir para ampliar a pressão externa contra o governo nicaraguense.
A oposição também defende medidas internacionais mais duras contra a Nicarágua. Entre elas, está a suspensão do Acordo de Associação entre a União Europeia e o país, conforme recomendação aprovada pelo Parlamento Europeu.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que os países democráticos precisam atuar de forma conjunta para demonstrar ao regime de Daniel Ortega e Rosario Murillo que não é possível manter relações diplomáticas normais enquanto, segundo ele, são desrespeitados princípios fundamentais da democracia no continente. Apesar da declaração, Washington ainda não anunciou novas medidas contra o governo nicaraguense.
Chamorro descartou uma eventual intervenção militar dos Estados Unidos, mas defendeu a adoção de sanções comerciais como forma de aumentar a pressão internacional sobre o regime de Daniel Ortega.
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