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Ucrânia descarta ceder territórios e cobra maior participação do Brasil em iniciativas humanitárias
Ucrânia descarta ceder territórios e cobra maior participação do Brasil em iniciativas humanitárias
Representante diplomático afirma que Kiev aceita discutir cessar-fogo, mas rejeita reconhecer áreas ocupadas como parte da Rússia
Por: Redação
13/06/2026 às 09:17

Foto: Carlos Moura/Agência Senado
A Ucrânia não pretende abrir mão de territórios ocupados pela Rússia como condição para encerrar a guerra iniciada em fevereiro de 2022. A posição foi reafirmada por Oleg Vlasenko, encarregado de Negócios da Embaixada da Ucrânia no Brasil, que defendeu a preservação da integridade territorial do país e cobrou maior envolvimento brasileiro em ações humanitárias ligadas ao conflito.
Segundo o diplomata, Kiev está disposta a discutir um cessar-fogo com base nas atuais linhas de combate, mas rejeita qualquer acordo que implique o reconhecimento de regiões ocupadas pela Rússia, como a Crimeia e Lugansk. “Não haverá concessões territoriais”, afirmou Vlasenko ao comentar as condições consideradas aceitáveis pelo governo ucraniano para uma eventual negociação de paz.
O representante argumentou que a guerra ultrapassa a disputa por territórios e envolve princípios fundamentais do direito internacional, especialmente a preservação das fronteiras nacionais e a rejeição ao uso da força para alterar limites entre países. Na avaliação de Kiev, aceitar mudanças territoriais obtidas por meio de invasões poderia abrir precedentes para novos conflitos em outras regiões do mundo.
Ao abordar as negociações de paz, Vlasenko reconheceu que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contribuiu para avanços diplomáticos e resultados humanitários, incluindo a libertação de milhares de prisioneiros e civis ucranianos. Ainda assim, apontou que o principal obstáculo para um acordo continua sendo a exigência russa de que a Ucrânia ceda áreas atualmente disputadas.
O diplomata também destacou as necessidades militares do país, especialmente na área de defesa aérea. Segundo ele, a Ucrânia precisa ampliar o acesso a sistemas antimísseis e interceptadores para proteger cidades e infraestruturas críticas diante dos ataques russos.
Em relação ao Brasil, Vlasenko afirmou que o diálogo diplomático permanece aberto, mas defendeu maior participação brasileira em iniciativas voltadas à libertação de prisioneiros de guerra e ao retorno de crianças ucranianas levadas para áreas sob controle russo. O representante também lamentou o encerramento do programa brasileiro de acolhimento humanitário para refugiados ucranianos no fim de 2025.
Mais de quatro anos após o início da guerra, a Ucrânia segue enfrentando graves impactos humanitários. Milhões de pessoas deixaram o país ou foram deslocadas internamente, enquanto o governo mantém programas de assistência e reconstrução em meio à continuidade dos combates.
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