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Facções criminosas disputam controle da Ilha de Itaparica

Facções criminosas disputam controle da Ilha de Itaparica

Estratégica para o tráfico por mar e próxima de Salvador, maior ilha marítima do Brasil convive com avanço do crime organizado, medo da população e casos de desaparecimento

Por: Redação

12/01/2026 às 10:37

Imagem de Facções criminosas disputam controle da Ilha de Itaparica

Foto: Arisson Marinho/CORREIO

Conhecida por praias, festas populares e pelo intenso fluxo turístico em feriados e no verão, a Ilha de Itaparica também enfrenta uma realidade bem menos visível aos visitantes. Em áreas periféricas e povoados afastados dos principais roteiros turísticos, moradores convivem com pontos de venda de drogas, presença de grupos armados e a chamada “lei do silêncio”, em meio à disputa territorial de facções criminosas.

Atualmente, organizações como o Bonde do Maluco (BDM), o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) atuam na ilha, que é dividida administrativamente entre os municípios de Itaparica e Vera Cruz — este último concentrando cerca de 80% do território. Com aproximadamente 239 quilômetros quadrados, a ilha é a maior ilha marítima do Brasil e está situada na Baía de Todos-os-Santos, a cerca de 45 quilômetros de Salvador.

O interesse do crime organizado é considerado estratégico. A localização favorece o transporte de drogas por embarcações, já que há poucas rotas marítimas com fiscalização permanente. Além disso, a proximidade com a capital, o Recôncavo Baiano e o litoral sul do estado permite deslocamentos rápidos, enquanto manguezais e áreas isoladas funcionam como rotas alternativas e pontos de fuga.

A disputa entre facções tem colocado em xeque a imagem de tranquilidade que, por décadas, fez de Itaparica um refúgio para moradores de Salvador. Relatos de violência e desaparecimentos sem solução reforçam o clima de insegurança. Um dos casos que mais gerou apreensão é o de Daniel Araújo Gondim, de 25 anos, desaparecido desde outubro do ano passado após ser visto em um restaurante na localidade de Barra do Pote, área sob influência do CV. A família chegou a pagar R$ 3 mil a supostos integrantes de facção em busca de informações, mas, passados três meses, não obteve respostas.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Ilha de Itaparica abriga cerca de 57 mil habitantes, distribuídos em 14 povoados — quatro no município de Itaparica e dez em Vera Cruz.

Uma das regiões mais sensíveis é o chamado Cone Sul, área próxima ao Recôncavo Baiano que inclui praias como Aratuba, Berlinque e Tairu. Segundo relatos de moradores, o Comando Vermelho ampliou sua presença na região após o rompimento de uma antiga aliança com o grupo Katiara, tradicionalmente ligado ao tráfico no interior do estado.

De acordo com um comerciante local, que preferiu não se identificar, o avanço do CV ocorreu de forma rápida. “O Cone Sul era ‘Tudo 3’, mas foi tomado. Hoje, boa parte do CV já foi um dia Katiara. De uma hora para outra, os cariocas assumiram tudo”, relatou.

Ainda segundo moradores, os conflitos entre o CV e o BDM — este último com forte presença em Mar Grande — se intensificaram há cerca de quatro anos, após a execução de um entregador de pizza em Berlinque. O episódio teria rompido uma trégua informal e desencadeado uma sequência de ataques e represálias. “Desde então, há ataques e contra-ataques, e quem mora aqui acaba no meio do fogo cruzado”, afirmou o comerciante.

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