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Laudos do MPF apontam falhas e riscos ambientais na ponte Salvador-Itaparica

Laudos do MPF apontam falhas e riscos ambientais na ponte Salvador-Itaparica

Projeto bilionário ainda não tem licença para obras e enfrenta questionamentos técnicos sobre impacto na Baía de Todos-os-Santos

Por: Redação

25/03/2026 às 08:32

Imagem de Laudos do MPF apontam falhas e riscos ambientais na ponte Salvador-Itaparica

Foto: Divulgação

Um conjunto de laudos técnicos elaborados pelo Ministério Público Federal levantou dúvidas relevantes sobre a viabilidade técnica e ambiental da ponte Salvador-Itaparica, um dos principais projetos de infraestrutura do governo estadual.

Os documentos indicam que o empreendimento ainda apresenta lacunas importantes e depende de estudos mais aprofundados para avançar no processo de licenciamento. Até o momento, a Licença de Instalação — etapa essencial para o início das obras — não foi concedida.

 

Impactos ambientais no centro das críticas

Os laudos destacam riscos diretos à Baía de Todos-os-Santos, incluindo possíveis alterações na dinâmica das correntes marítimas e no transporte de sedimentos.

Peritos apontam que a instalação de pilares no leito marinho pode provocar impactos cumulativos e de difícil reversão, afetando ecossistemas sensíveis como manguezais e recifes de corais.

 

Além disso, há preocupação com:

  • subestimação da área de manguezal afetada
  • ausência de modelagens ecológicas mais robustas
  • risco de bioinvasão e desequilíbrios na cadeia alimentar
  • impacto sobre espécies marinhas e pesca artesanal

Um dos laudos aponta inclusive inconsistências graves em cálculos ambientais, como divergências na estimativa de área impactada de manguezal.

 

Falhas técnicas e necessidade de revisão

Os especialistas recomendam a contratação de ao menos 20 profissionais de diferentes áreas — como engenharia, biologia e direito ambiental — para reforçar a análise do projeto.

Também foram sugeridas revisões em pontos críticos, como:

  • área de influência ambiental
  • lista de espécies ameaçadas
  • medidas compensatórias
  • impactos no tráfego e no subsolo
  • protocolos para preservação de patrimônio arqueológico

O nível de exigência técnica reforça a complexidade da obra e levanta dúvidas sobre a consistência dos estudos já apresentados.

 

Cronograma sob incerteza

Apesar das ressalvas técnicas, o governo da Bahia mantém a previsão de iniciar as obras em junho, com conclusão estimada para 2031. O projeto prevê investimento de cerca de R$ 11 bilhões e uma ponte de 12,4 km de extensão.

 

No entanto, o licenciamento segue em análise por órgãos como:

  • Inema
  • Iphan

O Iphan, inclusive, já apresentou parecer contrário à instalação anteriormente, apontando falhas em estudos apresentados.

 

Governo e concessionária se defendem

A Secretaria responsável pelo projeto afirma que não teve acesso oficial aos laudos do MPF, mas sustenta que o processo de licenciamento segue dentro da legalidade.

Já a concessionária diz que está atendendo às exigências dos órgãos ambientais e desenvolvendo estudos adicionais para garantir a segurança da obra.

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