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Médicos denunciam atraso salarial e suspeita de água contaminada em hospital estadual na Bahia
Médicos denunciam atraso salarial e suspeita de água contaminada em hospital estadual na Bahia
Profissionais relatam três meses sem pagamento, falta de insumos e paralisação de procedimentos no Hospital Regional de Porto Seguro; Sesab e instituto gestor apresentam versões divergentes
Por: Redação
27/05/2026 às 10:07

Foto: Reprodução
Médicos do Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães (HRDLEM), em Porto Seguro, denunciaram atrasos salariais, escassez de materiais médicos, falhas estruturais e suspeitas de contaminação da água utilizada na unidade. Segundo profissionais ouvidos sob anonimato pelo Jornal Correio, os pagamentos estariam atrasados há três meses, enquanto a unidade enfrenta dificuldades operacionais consideradas críticas para o atendimento da população.
Administrado pelo Instituto Setes desde o fim do ano passado, o hospital é vinculado à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia. De acordo com médicos da unidade, os profissionais contratados como pessoa jurídica afirmam não receber salários desde fevereiro, apesar de alegarem que os repasses públicos ao instituto continuam sendo realizados regularmente.
Além do impasse financeiro, médicos relatam falta de materiais básicos, roupas cirúrgicas e equipamentos sem manutenção. Um dos principais problemas apontados envolve o tomógrafo do hospital, descrito como inoperante há cerca de seis meses, situação que, segundo os profissionais, compromete atendimentos de urgência, especialmente em casos de acidente vascular cerebral (AVC) e pacientes politraumatizados.
Outro ponto relatado pelos profissionais é a suspeita de contaminação da água da unidade. Segundo médicos ouvidos pela reportagem, exames internos teriam identificado alta incidência de infecções em pacientes internados na UTI, levantando suspeitas sobre possível presença de bactéria resistente no abastecimento. Conforme os relatos, bebedouros teriam sido interditados, cirurgias e sessões de hemodiálise chegaram a ser temporariamente suspensas e setores passaram a utilizar galões de água mineral. “As criancinhas do berçário estão tomando banho com água mineral”, relatou uma médica à reportagem.
Os médicos afirmam ainda que parte relevante dos cerca de 100 profissionais da unidade depende exclusivamente do hospital como fonte de renda e relatam receio de represálias ao denunciar a situação. Em dezembro, toda a equipe de ginecologia e obstetrícia do hospital chegou a pedir demissão coletiva após alegações de redução salarial.
Em resposta ao Jornal Correio, o Instituto Setes afirmou que o tomógrafo está funcionando, que os materiais e insumos seguem sendo fornecidos regularmente e que a situação da água está sendo acompanhada pela Vigilância Sanitária, com medidas adotadas para regularização. Sobre os salários, a organização alegou atrasos nos repasses contratuais da Sesab, afirmando ter recebido apenas cinco parcelas em sete meses de gestão.
Já a Sesab declarou que os pagamentos relacionados ao hospital são feitos de forma regular e dentro dos prazos previstos, negando inadimplência com a unidade. A secretaria também afirmou que materiais e insumos seguem disponíveis conforme a demanda assistencial e que providências foram adotadas em relação à qualidade da água após comunicação à Vigilância Sanitária.
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