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Servidor que amputou a própria perna para receber seguro milionário é condenado na Bahia
Servidor que amputou a própria perna para receber seguro milionário é condenado na Bahia
Justiça conclui que não houve assalto e aponta fraude para obtenção de até R$ 1,5 milhão em indenizações
Por: Redação
17/06/2026 às 12:15

Foto: Reprodução
A Justiça da Bahia condenou o servidor público Vanderley dos Santos Gomes por estelionato após concluir que ele simulou um assalto e amputou a própria perna com o objetivo de receber indenizações milionárias de seguradoras.
O caso ocorreu em agosto de 2019 e ganhou repercussão após Vanderley afirmar ter sido sequestrado por criminosos em Cruz das Almas. Segundo sua versão, ele teria sido levado para uma área rural, agredido e tido o pé direito amputado pelos supostos assaltantes antes de ser abandonado.
As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público da Bahia, porém, chegaram a uma conclusão diferente. De acordo com os órgãos, não houve sequestro, roubo ou tortura. A apuração apontou que o servidor teria planejado a fraude para receber valores de seguros contratados semanas antes do episódio.
A sentença condenatória foi proferida em primeira instância em 2024 e mantida pelo Tribunal de Justiça da Bahia no ano seguinte. Após o trânsito em julgado, Vanderley foi intimado neste ano para iniciar o cumprimento da pena de dois anos de reclusão.
Contratação de seguros levantou suspeitas
Segundo a denúncia do Ministério Público, Vanderley contratou quatro apólices de seguro de vida e acidentes pessoais entre os meses de junho e julho de 2019, pouco mais de um mês antes da suposta ação criminosa.
Os contratos foram firmados junto às seguradoras Tokio Marine, Allianz, Zurich e Sompo. Somadas, as indenizações poderiam alcançar aproximadamente R$ 1,5 milhão em caso de invalidez permanente.
Para os investigadores, a proximidade entre a contratação dos seguros e o suposto crime foi um dos principais elementos que despertaram suspeitas.
Na época, Vanderley trabalhava como técnico-administrativo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e recebia salário de pouco mais de R$ 3,5 mil.
Versão apresentada foi contestada
Em depoimentos, o servidor afirmou que saiu da rodoviária de Feira de Santana rumo a Cruz das Almas e, após não conseguir contato com um amigo, teria sido abordado por criminosos armados.
Segundo seu relato, os suspeitos o colocaram em um veículo, roubaram seus pertences e o levaram para uma estrada de terra, onde teria ocorrido a amputação.
A investigação, no entanto, identificou inconsistências na narrativa. Perícias e análises técnicas concluíram que a versão apresentada não era compatível com os elementos encontrados durante a apuração.
Juiz apontou “história ardilosa”
Na sentença, o juiz João Batista Bonfim Dantas afirmou que as provas reunidas demonstraram contradições relevantes na versão apresentada pelo acusado.
O magistrado destacou que não era plausível que um servidor público jovem, sem histórico de doenças graves e enfrentando dificuldades financeiras, contratasse quatro seguros de alto valor em curto espaço de tempo sem que isso despertasse suspeitas.
Para a Justiça, o conjunto probatório demonstrou que Vanderley criou uma narrativa falsa para tentar obter vantagens financeiras das seguradoras.
O caso é considerado incomum por especialistas do setor, que apontam a raridade de fraudes envolvendo lesões corporais de grande gravidade praticadas pelo próprio beneficiário com o objetivo de receber indenizações.
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