Inflação sobe acima da meta e alimentos lideram pressão sobre preços
Alta de itens básicos como batata, tomate, cebola e carnes impulsiona IPCA, que voltou a superar o teto estabelecido pelo Banco Central
Por: Redação
12/06/2026 às 13:04

Foto: José Cruz/Agência Brasil
A inflação oficial do país desacelerou em maio, mas permaneceu em patamar elevado e voltou a ultrapassar o limite da meta perseguida pelo Banco Central. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,58% no mês, abaixo dos 0,67% observados em abril. Ainda assim, o resultado foi o maior para um mês de maio desde 2021.
No acumulado de 12 meses, a inflação atingiu 4,72%, acima dos 4,39% registrados anteriormente e superior ao teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Banco Central. O índice também ficou acima das projeções do mercado financeiro, que esperava uma alta de 0,53% no período.
O principal fator de pressão veio do grupo de alimentação e bebidas, que avançou 1,33% em maio e respondeu por cerca de metade da inflação do mês. O impacto foi especialmente sentido nos alimentos consumidos dentro de casa, que tiveram aumento médio de 1,65%.
Entre os produtos que mais subiram estão a batata-inglesa, com alta de 44,69%, seguida pelo tomate (20,62%), cebola (16,8%) e carnes (1,39%). Segundo o IBGE, a elevação dos preços está associada à menor oferta de alguns produtos e ao aumento dos custos logísticos observados nos meses anteriores.
Apesar da queda de 2,34% no preço do diesel em maio, o recuo não foi suficiente para compensar os aumentos acumulados nos meses anteriores. O combustível havia registrado altas de 13,9% em março e 4,46% em abril, impactando o custo do transporte de mercadorias em todo o país.
Para os próximos meses, economistas acompanham com atenção os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre a produção agropecuária. A expectativa é que alterações no regime de chuvas possam pressionar ainda mais os preços dos alimentos. Diante desse cenário, o mercado financeiro elevou novamente suas projeções para a inflação de 2026. No boletim Focus mais recente, a estimativa para o IPCA passou para 5,11%, marcando a 13ª revisão consecutiva para cima.
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