Uma auditoria independente conduzida pelo escritório Machado Meyer, em conjunto com a consultoria Kroll, identificou indícios de uso de “laranjas” em operações envolvendo a compra de ações do Banco de Brasília (BRB) por estruturas ligadas ao Banco Master.
Segundo o documento apresentado à Justiça, os empresários Adalberto Valadão Júnior e Leonardo Ávila teriam atuado como intermediários formais nas operações, sem participação econômica efetiva, caracterizando o uso de pessoas interpostas.
A auditoria aponta que houve “uso sistemático de estruturas pulverizadas, pessoas interpostas e ‘laranjas’” com o objetivo de dificultar a rastreabilidade das transações por órgãos reguladores como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários.
De acordo com o relatório, os dois empresários teriam recebido, juntos, cerca de R$ 265 milhões para subscrever ações e, posteriormente, transferi-las a fundos ligados ao grupo financeiro, como Borneo e Verbier.
A estrutura descrita inclui fundos administrados por entidades relacionadas ao Master e à Reag, como Borneo, Delta, Deneb e Asterope FIP, que teriam participado da engenharia financeira para entrada no capital do BRB.
Um dos exemplos citados envolve o fundo Borneo, que adquiriu mais de 15 milhões de recibos de ações do BRB por aproximadamente R$ 130 milhões. Em operação semelhante, o fundo Verbier também teria ingressado na estrutura societária do banco por meio de contrato de cerca de R$ 130 milhões.
A ação judicial integra o processo em que o BRB busca indenização por prejuízos decorrentes da aquisição de carteiras de crédito consideradas irregulares, além de pedir o bloqueio de bens e ativos ligados aos investigados.
As defesas dos empresários negam irregularidades. Representantes de Valadão afirmam que não houve ganho financeiro na operação, enquanto Ávila sustenta que a cessão de direitos ocorreu de forma gratuita e sem vínculo com as instituições envolvidas.
O caso segue sob análise da Justiça.