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BRB comprou crédito de R$ 198 milhões com garantia inexistente em operação com Banco Master
BRB comprou crédito de R$ 198 milhões com garantia inexistente em operação com Banco Master
Documentos apontam falhas graves em análise de risco e levantam suspeitas sobre gestão de ativos do banco estatal
Por: Redação
08/04/2026 às 09:29

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação revelam que o Banco de Brasília (BRB) adquiriu do Banco Master uma carteira de crédito de R$ 198 milhões sem garantia real efetiva, em operação que já apresentava fragilidades desde a origem.
O crédito teve início em dezembro de 2023, quando o Banco Master liberou R$ 378 milhões à empresa Lorde Participações por meio de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). Segundo parecer interno da Diretoria de Controle e Riscos do BRB, a empresa possuía capital social de apenas R$ 1 mil e havia registrado prejuízo de R$ 60 mil no mesmo ano, o que indicava alto risco na operação.
Menos de um ano depois, em setembro de 2024, o Master transferiu esse crédito ao BRB, comprometendo-se a converter a operação para o modelo de cédula de crédito bancário (CCB) e incluir garantias reais em até 60 dias. Posteriormente, foi apresentado um imóvel localizado em Mata de São João, na Bahia, como garantia do negócio.
No entanto, verificações posteriores apontaram que o terreno nunca pertenceu ao Banco Master, e sua matrícula não registra qualquer vínculo com o BRB — requisito essencial para assegurar a execução da garantia em caso de inadimplência.
Apesar disso, a Diretoria Colegiada do BRB aprovou, em dezembro de 2024, a aquisição do crédito com base nessa suposta garantia. Um laudo chegou a avaliar o terreno em R$ 243,6 milhões, embora, em outra operação semelhante envolvendo o mesmo imóvel, ele tenha sido superavaliado em até R$ 1,4 bilhão.
O caso se soma a outras transações sob suspeita envolvendo o Banco Master e o BRB, indicando possíveis falhas sistêmicas nos processos de análise, validação de garantias e gestão de risco em operações com recursos públicos.
A ausência de lastro real e a utilização recorrente de um mesmo imóvel sem comprovação de propriedade ampliam os questionamentos sobre a governança dessas operações e reforçam a pressão por investigações mais aprofundadas.
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