Comissão de Energia confirma incidente com material radioativo no Ipen
Relatório aponta presença de traços de tecnécio-99 durante operação no Centro de Radiofarmácia; instituto afirma que não houve risco à saúde dos trabalhadores
Por: Redação
12/06/2026 às 10:24

Foto: Gledson Júnior
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) confirmou a ocorrência de um incidente envolvendo material radioativo no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo. O caso veio à tona após entidades sindicais cobrarem esclarecimentos sobre as condições de segurança da unidade.
Segundo relatório da comissão, o episódio ocorreu durante a retirada de sensores biológicos de uma autoclave utilizada na produção de radiofármacos. Durante o procedimento, foram identificados traços de tecnécio-99, material radioativo amplamente utilizado na medicina nuclear. Dois funcionários classificados como Indivíduos Ocupacionalmente Expostos passaram por exames específicos, mas não apresentaram qualquer sinal de contaminação interna.
O Ipen informou que a contaminação ficou restrita a uma área controlada do Centro de Radiofarmácia e atingiu apenas a vestimenta de um dos trabalhadores envolvidos na operação. De acordo com o instituto, não houve impacto à saúde dos profissionais nem necessidade de observação médica posterior.
Ainda segundo a instituição, todos os protocolos de radioproteção foram seguidos e o material foi devidamente isolado dentro da área restrita. Após o incidente, os profissionais envolvidos receberam treinamento adicional, enquanto o caso continua sob avaliação interna.
A CNEN ressaltou que situações envolvendo contaminação de equipamentos de proteção individual podem ocorrer eventualmente em ambientes que trabalham com materiais radioativos, mas destacou que existe monitoramento permanente da exposição dos servidores. O relatório detalhado foi encaminhado à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) para análise.
A identificação do problema ocorreu após uma denúncia anônima relacionada à unidade da Cidade Universitária. O possível vazamento foi detectado em 29 de maio, mas só se tornou público depois que o Sindicato dos Servidores Federais de São Paulo (Sindsef-SP) e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) solicitaram informações formais à direção do instituto e à própria CNEN.
De acordo com as entidades, o episódio exigiu procedimentos emergenciais de descontaminação, incluindo a retenção das roupas utilizadas pelos trabalhadores e a atuação da equipe de Proteção Radiológica.
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