CPI do Crime Organizado termina esvaziada e sem ouvir maioria dos convocados
Com baixa adesão e obstáculos políticos, comissão encerra trabalhos sem avançar em pontos centrais das investigações
Por: Redação
13/04/2026 às 08:22

Foto: Lula Marques/Agência Brasil
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Congresso Nacional chega ao fim nesta semana sob críticas e resultados limitados. Após cerca de quatro meses de funcionamento, o colegiado encerra suas atividades sem ouvir mais de 90 pessoas que haviam sido convocadas ou convidadas para depor.
Ao todo, a CPI aprovou a convocação de pelo menos 110 nomes, incluindo autoridades de alto escalão, como ministros do Supremo Tribunal Federal, governadores e especialistas em segurança pública. No entanto, apenas 18 pessoas foram efetivamente ouvidas ao longo dos trabalhos, evidenciando um esvaziamento significativo da comissão.
Entre as ausências mais relevantes estão os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que não compareceram após obterem habeas corpus no próprio STF. A CPI também não conseguiu ouvir nomes importantes como o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o ex-governador Ibaneis Rocha.
A comissão pretendia ainda traçar um panorama nacional do avanço do crime organizado, com a participação de ao menos 11 governadores. Porém, apenas Jorginho Mello compareceu para prestar esclarecimentos.
Pressão política e impasse no Congresso
Nos bastidores, houve tentativa de prorrogar os trabalhos por mais 60 dias, mas o pedido foi negado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sob a justificativa do calendário eleitoral.
O relator da CPI, Alessandro Vieira, criticou a decisão e afirmou:
“É óbvio que não concordamos, entendo que o presidente Davi presta um grande desserviço à população.”
Resultado expõe fragilidade das investigações
O desfecho da CPI reforça a percepção de ineficiência e falta de coordenação política no enfrentamento ao crime organizado no país. Mesmo com amplo escopo e nomes relevantes na lista de convocados, a comissão termina sem consolidar uma apuração robusta, levantando questionamentos sobre a real capacidade do Congresso de conduzir investigações de grande impacto.
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