“Crise do Master está na Faria Lima”, diz Gilmar
Ministro do STF afirma que caso do Banco Master tem origem no mercado financeiro e cita falhas de fiscalização
Por: Redação
24/05/2026 às 21:18

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O ministro do STF Gilmar Mendes afirmou que a crise envolvendo o Banco Master não deve ser atribuída ao Supremo Tribunal Federal, mas ao mercado financeiro e a falhas de fiscalização de órgãos reguladores. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o magistrado classificou o episódio como um problema “sistêmico” e rejeitou tentativas de vincular diretamente a Corte ao caso.
Ao comentar o avanço das investigações sobre o Banco Master, Gilmar disse que a origem da crise estaria na atuação do sistema financeiro e mencionou falhas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central. Segundo o ministro, os órgãos responsáveis pela supervisão enfrentaram dificuldades estruturais, o que teria afetado a fiscalização do setor.
“A crise do Master não está na Praça dos Três Poderes, está na Faria Lima”, afirmou o ministro. “Quem vendeu títulos foram os bancos. Não quero isentar de responsabilidade quem tem”, acrescentou.
O caso ganhou repercussão no STF após revelações sobre contatos e relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e integrantes da Corte, entre eles Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Gilmar, no entanto, afirmou que eventuais apurações sobre essas conexões devem seguir sob responsabilidade das autoridades competentes.
“Isso certamente está sendo investigado e as autoridades competentes devem fazê-lo, estão fazendo”, declarou o ministro ao comentar as investigações envolvendo pessoas próximas ao STF e negócios ligados ao Banco Master.
Durante a entrevista, Gilmar também avaliou o cenário político e afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta dificuldades de articulação no Congresso. Segundo ele, “o governo Lula é um governo de minoria” e há falhas relevantes na coordenação política do Executivo.
O ministro ainda defendeu mudanças para ampliar transparência nos pagamentos do Judiciário, sugerindo uma plataforma única para fiscalização de benefícios e remunerações de magistrados.
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