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Decisão judicial no Ceará leva à criação de “cidade fantasma” após soltura de traficante
Decisão judicial no Ceará leva à criação de “cidade fantasma” após soltura de traficante
Tribunal absolveu líder da facção Guardiões do Estado por “falta de provas”; meses depois, criminoso expulsou 2 mil moradores e tomou o controle de distrito no interior cearense.
Por: Redação
10/11/2025 às 11:11

Foto: Reprodução
Uma decisão do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), emitida em setembro de 2024, provocou uma das maiores crises de segurança pública do estado. O tribunal absolveu o traficante José Witals da Silva Nazário, conhecido como “Playboy”, acusado de integrar uma facção criminosa e determinou sua libertação imediata. Poucos meses após a soltura, o criminoso e seu grupo expulsaram cerca de 2 mil moradores do distrito de Uiraponga, na cidade de Morada Nova (CE), transformando o local em uma “cidade fantasma”.
A ação violenta, segundo investigações, foi motivada por uma disputa de poder entre facções. Playboy, ligado aos Guardiões do Estado (GDE), travava uma guerra contra seu ex-aliado Gilberto de Oliveira Cazuza, o “Mingau”, líder de uma célula rival do tráfico. Para enfraquecer a base adversária, o criminoso determinou a expulsão de todos os moradores de Uiraponga, destruindo casas e aterrorizando famílias.
“O objetivo era eliminar qualquer rede de apoio ao bando de Mingau, que se escondia na caatinga”, relatou um investigador sob anonimato.
Execuções e terror
A ofensiva criminosa contou com execuções brutais para intimidar os moradores. Em julho de 2025, o grupo de Playboy assassinou José Audivan Bezerra de Freitas, de 50 anos, deixando o corpo com a cabeça destroçada exposto na praça principal do distrito — uma mensagem direta para forçar a fuga da população.
Atualmente, apenas cinco famílias permanecem em Uiraponga, que antes tinha mais de 2 mil habitantes. Postos de saúde, escolas e igrejas estão abandonados, e o vilarejo é patrulhado apenas por uma viatura da Polícia Militar, estacionada onde antes funcionava a escola local.
A decisão que libertou “Playboy”
A sentença da Vara de Delitos de Organizações Criminosas do TJCE afirmou não haver “provas suficientes” para condenar o réu. Playboy havia sido denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por organização criminosa, porte ilegal de arma, corrupção de menores, receptação e resistência, mas o tribunal considerou a denúncia “vaga e genérica”.
“O conjunto de provas não demonstra que os réus se associaram de forma estável para a prática de crimes. Não há nos autos qualquer comprovação de vínculo entre eles que configure organização criminosa”, diz o trecho da decisão judicial.
Após a absolvição, o alvará de soltura foi expedido imediatamente, e Playboy retornou à região de origem — onde reconstruiu sua estrutura criminosa e deu início à nova ofensiva territorial.
O caso de Uiraponga expõe mais uma vez o colapso da segurança pública no Nordeste e o fracasso das políticas estaduais de combate ao crime organizado. Mesmo com o governo do Ceará afirmando que a região “está pacificada”, moradores se recusam a voltar, temendo novas ações de vingança.
Analistas de segurança avaliam que a decisão do TJCE representa um grave erro judicial e evidencia a distância entre o Judiciário e a realidade das comunidades sob domínio de facções.
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