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Defesa de Bolsonaro recorre ao STF e tenta reverter prisão domiciliar imposta por Moraes
Defesa de Bolsonaro recorre ao STF e tenta reverter prisão domiciliar imposta por Moraes
Recurso será analisado pela 1ª Turma; ministros ainda podem revisar a decisão que tirou a liberdade do ex-presidente
Por: Redação
08/08/2025 às 06:59

Foto: Isác Nóbrega
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recorreu nesta quarta-feira (6) contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar do ex-chefe do Executivo. A medida é contestada por meio de agravo regimental, instrumento jurídico previsto no regimento da Corte para questionar decisões individuais de ministros.
Agora, caberá à 1ª Turma do STF — composta por Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Luiz Fux — decidir se mantém ou revoga a decisão. Antes disso, o próprio Moraes pode rever o que determinou, fazendo o chamado “juízo de retratação”. Caso mantenha sua posição, o caso será levado ao colegiado.
A equipe jurídica de Bolsonaro sustenta que não houve descumprimento de medidas cautelares, já que o ex-presidente não está proibido de conceder entrevistas nem de se manifestar publicamente. A defesa também pede que a decisão, dada de forma monocrática, seja submetida ao plenário físico da Corte, e não apenas à turma.
“Estamos diante de um caso de grande repercussão nacional. Uma análise mais ampla, pelo colegiado, garante maior transparência e legitimidade ao processo”, afirmou um dos advogados envolvidos no caso, em caráter reservado.
Debate jurídico
Segundo o advogado criminalista Pedro Bueno de Andrade, o agravo regimental é um dos caminhos possíveis para contestar decisões como a que impôs a prisão domiciliar a Bolsonaro.
“Se o relator reconsiderar a decisão, o caso se resolve sem julgamento coletivo. Se não, o recurso é automaticamente levado à turma”, explicou.
O STF ainda não informou se Moraes pretende rever sua decisão ou submeter o caso diretamente ao julgamento da 1ª Turma. Em nota, o Supremo orientou que a imprensa acompanhe o andamento processual da PET 14.129 e da AP 2668 e informou que “não há prazo” para o julgamento do recurso.
Decisão contestada
A prisão domiciliar de Bolsonaro foi determinada com base na suposta violação de medidas cautelares, como o impedimento de uso, direto ou indireto, de redes sociais. O ex-presidente, no entanto, tem mantido declarações públicas por meio de entrevistas e pronunciamentos — o que, segundo a defesa, não configura infração às regras impostas.
Em julho, a própria 1ª Turma do STF já havia referendado as medidas cautelares por 4 votos a 1, em julgamento virtual. Apenas o ministro Luiz Fux divergiu da maioria.
Ainda que o relator possa não ser obrigado, do ponto de vista legal, a levar novamente a decisão ao colegiado, juristas avaliam que uma nova análise pode trazer maior legitimidade política e institucional à medida.
“Não é juridicamente imprescindível, mas é politicamente prudente. A decisão monocrática de um ministro, quando mantida por uma turma ou pelo plenário, adquire peso institucional ainda maior — especialmente num caso dessa magnitude”, conclui Andrade.
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