A empresa de criptomoedas Tether entrou na Justiça paulista para cobrar uma dívida de aproximadamente R$ 1,6 bilhão de empresas ligadas ao grupo do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo o processo, o acordo de financiamento foi fechado em março do ano passado e previa um empréstimo de US$ 300 milhões à Titan Holding, empresa associada ao grupo de Vorcaro. Com juros e correções, o valor da dívida teria alcançado R$ 1,6 bilhão.
A Tether afirmou que o empréstimo foi concedido “de boa-fé” e que, assim como outros credores, ainda não recebeu o pagamento devido.
O dinheiro teria sido transferido em duas etapas. A primeira ocorreu em 28 de março, mesma data em que o Banco de Brasília (BRB) anunciou intenção de adquirir o Banco Master. A segunda parcela foi enviada cerca de quatro dias depois.
O contrato previa cláusulas que permitiam a cobrança antecipada da dívida em caso de piora na classificação de risco do Banco Master. Essa condição foi acionada após a agência Fitch Ratings reduzir a nota de crédito da instituição financeira em setembro, aumentando as incertezas sobre a operação envolvendo o BRB.
Posteriormente, o Banco Central barrou a compra e decretou a liquidação do Banco Master em novembro de 2025, agravando a situação financeira do grupo investigado.
A ação judicial não cita diretamente Daniel Vorcaro como réu, mas aponta como responsáveis os diretores Luiz Antônio Bull e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, além de empresas ligadas ao conglomerado, como Master Holding Financeira e Master Participações.
Daniel Vorcaro segue sendo investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e movimentações financeiras consideradas irregulares envolvendo o Banco Master e operações bilionárias com recursos públicos.