Governo avalia recorrer ao STF após Congresso restabelecer trecho da LDO
Aliados de Lula veem risco de uso eleitoral da máquina pública, mas parte do Planalto resiste à judicialização diante de negociações com o Congresso
Por: Redação
28/05/2026 às 09:31

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutem a possibilidade de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do Congresso Nacional que restabeleceu um trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) autorizando transferências de bens e recursos públicos durante o período eleitoral.
O dispositivo foi promulgado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), após o Palácio do Planalto optar por não sancionar o trecho anteriormente aprovado pelo Legislativo. A medida reabriu o debate sobre os limites da atuação do poder público em ano de eleição e gerou preocupação dentro do governo quanto aos possíveis impactos políticos da regra.
Segundo integrantes do entorno presidencial, a avaliação é de que a mudança pode ampliar espaço para o uso eleitoral da máquina pública ao flexibilizar restrições impostas pela legislação eleitoral em períodos de campanha. O receio é que a autorização permita a realização de transferências e repasses públicos em circunstâncias que, tradicionalmente, são limitadas para evitar favorecimento político a candidatos.
Apesar da discussão sobre um possível recurso ao STF, há divergências dentro do governo. Uma ala do Planalto tem defendido cautela e resiste à judicialização do caso, argumentando que o Executivo ainda depende de articulação política com o Congresso para avançar em pautas consideradas prioritárias, como a PEC do fim da escala 6×1 — aprovada pela Câmara e em tramitação no Senado — e a proposta de reforma da segurança pública.
Com o trecho restabelecido da LDO, abre-se uma exceção às restrições previstas pela legislação eleitoral, que normalmente impede a distribuição de benefícios e transferências voluntárias em período de campanha para reduzir riscos de uso político de recursos públicos.
Ao justificar o veto ao dispositivo, o governo argumentou que a flexibilização poderia gerar desequilíbrio nas disputas eleitorais e favorecer o uso indireto da estrutura pública em campanhas. Pareceres técnicos da Câmara dos Deputados e do Senado também teriam alertado para riscos relacionados à medida, apontando possibilidade de impacto sobre a isonomia do processo eleitoral.
Até o momento, o Palácio do Planalto não confirmou oficialmente se apresentará ação no Supremo, e as discussões seguem em curso no núcleo político do governo.
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