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Ideólogo ligado a Trump diz que Brasil pode negociar com EUA a liberdade de Bolsonaro
Ideólogo ligado a Trump diz que Brasil pode negociar com EUA a liberdade de Bolsonaro
Curtis Yarvin afirma que governo americano veria com bons olhos a saída de Jair Bolsonaro da prisão e sugere que decisão abriria espaço para concessões diplomáticas; recado é direcionado ao governo Lula
Por: Redação
15/12/2025 às 08:52

Foto: Reprodução
Considerado um dos principais formuladores intelectuais da nova direita americana e lido por figuras próximas ao presidente Donald Trump, o escritor e engenheiro de software Curtis Yarvin afirmou que o governo dos Estados Unidos “certamente” teria algo a oferecer ao Brasil caso o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seja libertado. A declaração foi dada em entrevista ao Metrópoles, a primeira concedida por Yarvin a um veículo de imprensa brasileiro.
Segundo ele, a eventual libertação de Bolsonaro poderia abrir espaço para negociações diplomáticas relevantes entre Brasília e Washington, especialmente sob uma administração republicana alinhada a pautas de liberdade política e crítica ao ativismo judicial. “Eu tenho certeza de que há algo que o governo brasileiro pode ganhar com o governo Trump se decidir libertar Jair Bolsonaro. Só não sei exatamente o que poderia ser”, afirmou o ideólogo em entrevista concedida no dia 29 de novembro, em São Paulo.
Yarvin é lido por magnatas do Vale do Silício, como Peter Thiel, fundador da Palantir, e pelo vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, além de circular entre quadros influentes do trumpismo. Na internet, ficou conhecido pelo pseudônimo Mencius Moldbug e por popularizar conceitos que influenciaram a direita digital nos Estados Unidos.
As declarações de Yarvin ganham peso após a decisão do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA (OFAC) de retirar as sanções impostas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base na Lei Magnitsky. Também foram suspensas as punições contra a esposa do ministro e uma empresa ligada ao casal.
Em nota oficial, a Casa Branca afirmou que a aprovação do PL da Dosimetria, que reduz a pena de Bolsonaro, foi “um passo na direção certa” e contribuiu para a retirada das sanções — sinal claro de que o caso do ex-presidente brasileiro permanece no radar da política externa americana.
Para Yarvin, ainda que não conheça os detalhes das conversas entre a embaixada americana e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o cenário é evidente. “Trump ficaria feliz de ver Bolsonaro perdoado e fora da cadeia. Ele não representa qualquer ameaça ao Estado brasileiro”, disse. Segundo o escritor, o presidente americano valoriza profundamente a lealdade e sente solidariedade pessoal por Bolsonaro, inclusive por seu estado de saúde.
“Fica o aviso para o Lula”, resumiu Yarvin, ao indicar que a decisão brasileira pode ter consequências estratégicas relevantes.
Ao comentar os eventos de 8 de janeiro, Yarvin traçou paralelos com o episódio do 6 de janeiro de 2021, nos Estados Unidos, e adotou um tom crítico à narrativa de tentativa real de tomada de poder. Para ele, houve mais encenação do que estratégia, uma espécie de “teatro político” desconectado da realidade institucional.
Segundo o ideólogo, movimentos populistas fracassam quando se afastam da realidade e passam a operar no campo da ilusão, acreditando que a mobilização popular, por si só, é suficiente para produzir mudanças estruturais. Ao fim, afirmou, quem prevaleceu foi o sistema de poder já estabelecido — no Brasil, representado pela atuação concentrada do STF.
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