Itália barra extradição de Carla Zambelli
Corte de Cassação rejeita envio da ex-deputada ao Brasil; decisão final agora caberá ao governo italiano
Por: Redação
22/05/2026 às 16:46

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
A Justiça italiana decidiu nesta sexta-feira (22) negar a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli ao Brasil. A decisão foi tomada pela Corte de Cassação de Roma, última instância do Judiciário italiano, durante julgamento do recurso apresentado pela defesa da parlamentar, condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e presa em Roma desde julho de 2025.
A audiência ocorreu a portas fechadas e contou com a participação de seis juízes. Segundo o representante da Advocacia-Geral da União (AGU) na Itália, Enrico Giarda, a decisão foi considerada “inesperada” pelo governo brasileiro.
Apesar da negativa judicial, o caso ainda não está encerrado. Com o esgotamento das instâncias da Justiça italiana, a decisão definitiva sobre eventual extradição caberá ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que terá até 45 dias para deliberar sobre o caso. Caso opte pela extradição, o governo brasileiro terá prazo de 20 dias para organizar o retorno da ex-parlamentar ao país.
A defesa de Zambelli tentou adiar o julgamento para unificar dois pedidos distintos de extradição — um ligado à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e outro referente ao caso de porte ilegal de arma. O pedido, no entanto, foi rejeitado pela Corte italiana, que decidiu manter os processos separados.
Os advogados da ex-deputada alegaram supostos vícios processuais no Brasil, além de questionarem as condições do sistema prisional brasileiro e apontarem agravamento no estado de saúde de Zambelli durante a prisão. A defesa sustenta que haveria incompatibilidade entre as condições carcerárias brasileiras e normas italianas sobre direitos fundamentais.
No Brasil, Carla Zambelli foi condenada pelo STF em dois processos já transitados em julgado. A ex-deputada recebeu pena de dez anos de prisão por participação na inserção de um falso mandado de prisão no sistema do CNJ, em ação atribuída ao hacker Walter Delgatti Neto, e outra condenação de cinco anos e três meses por sacar arma e perseguir um homem nas ruas de São Paulo, na véspera das eleições de 2022.
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