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Liquidante do Master mira fundos “Frozen” em ação sobre supostos desvios bilionários

Liquidante do Master mira fundos “Frozen” em ação sobre supostos desvios bilionários

Estrutura batizada com nomes de personagens da animação é apontada como peça de esquema para transformar recursos do banco em patrimônio privado; ação busca impedir desaparecimento de ativos

Por: Redação

29/05/2026 às 09:57

Imagem de Liquidante do Master mira fundos “Frozen” em ação sobre supostos desvios bilionários

Uma nova ação movida pelo liquidante do Banco Master na Justiça de São Paulo mira uma estrutura de fundos de investimento identificada internamente como “Frozen”, em referência a personagens da animação da Disney, sob suspeita de participação em um esquema de supostos desvios de recursos da instituição financeira.

Segundo a ação protocolada na quarta-feira (27), a nomenclatura dos fundos não teria sido escolhida ao acaso. O documento sustenta que o nome seria uma referência velada a “dinheiro frio” — recursos de origem ilícita ou não declarada que precisariam ser incorporados ao sistema financeiro por meio de operações aparentemente regulares.

A medida judicial busca impedir eventual dissipação de patrimônio que poderia ser utilizado para ressarcimento de credores do banco após a liquidação da instituição. Entre os alvos da ação está o fundo Anna, apontado como integrante central da chamada “estrutura Frozen”, além dos fundos Olaf, Hans e Sven — nomes associados a personagens do filme.

De acordo com o liquidante, os fundos teriam sido utilizados em operações financeiras consideradas atípicas, desenhadas para retirar recursos do Banco Master e convertê-los em patrimônio privado. A suspeita apresentada na ação é de que o suposto esquema funcionaria por meio de triangulações financeiras nas quais o empresário Daniel Vorcaro, controlador do banco, estaria simultaneamente em posições ligadas ao pagamento e ao recebimento dos recursos.

Um dos episódios descritos no processo envolve o fundo Anna, apontado como beneficiário de uma operação que teria gerado lucro de aproximadamente R$ 200 milhões em menos de 24 horas. Segundo a peça judicial, o fundo comprou cotas do fundo RSG pertencentes ao fundo Astralo 95 por R$ 900 milhões e, no mesmo dia, revendeu os ativos ao fundo Máxima 2 — ligado ao Banco Master — por R$ 1,1 bilhão.

Outro caso citado envolve o fundo RR, que teria realizado operação semelhante: adquiriu cotas do fundo RSG por R$ 153,6 milhões e as revendeu, no mesmo dia, por R$ 330 milhões ao Máxima 2, gerando lucro estimado em R$ 176,4 milhões em poucas horas.

A ação sustenta que o fundo RSG, apesar de ter originado operações bilionárias, possuiria ativos declarados significativamente inferiores aos valores negociados. Segundo o documento judicial, o Banco Master teria desembolsado mais de R$ 1,4 bilhão para aquisição de ativos cujo valor de referência seria de cerca de R$ 300 milhões, o que levanta suspeitas sobre possível sobrevalorização dos ativos e prejuízo patrimonial à instituição.

O juiz responsável ainda não se manifestou sobre o novo pedido. Em ações anteriores relacionadas ao caso, entretanto, já houve autorização de protestos judiciais sobre bens e ativos bilionários ligados ao grupo investigado.

O Banco Master entrou em liquidação pelo Banco Central em novembro de 2025, após crise financeira e investigações sobre supostas irregularidades envolvendo a instituição. Daniel Vorcaro já foi alvo da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, e responde a investigações relacionadas a suspeitas de crimes financeiros, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça. A defesa do empresário informou que prefere não comentar o caso.

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