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Polícia aponta movimentação de R$ 5,6 milhões entre empresário da saúde e intermediários do PCC
Polícia aponta movimentação de R$ 5,6 milhões entre empresário da saúde e intermediários do PCC
Investigação da Polícia Civil liga empresas do setor médico a suposto esquema de lavagem de dinheiro e contratos públicos em Goiás
Por: Redação
29/05/2026 às 09:41

Foto: Donke e Telles (Reprod/Instagram/Lidecampinas/26.jun.2022)
A Polícia Civil de São Paulo afirma que um conjunto de empresas ligado ao empresário do setor de saúde Thiago Telles movimentou R$ 5,68 milhões com intermediários do Primeiro Comando da Capital (PCC) entre 2023 e 2025, no contexto de uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas, jogos de azar e golpes financeiros. Segundo relatório obtido pela investigação, parte das empresas mantém contratos com hospitais públicos em Goiás.
De acordo com a apuração, o grupo empresarial teria realizado pagamentos de aproximadamente R$ 3,8 milhões a operadores ligados à facção e recebido cerca de R$ 1,8 milhão em transferências financeiras atribuídas ao mesmo núcleo. A movimentação foi identificada a partir de comprovantes bancários localizados em celulares apreendidos durante a operação “Falso Mercúrio”, deflagrada pela Polícia Civil em dezembro do ano passado.
Segundo os investigadores, os depósitos seriam usados para obtenção de dinheiro em espécie. A suspeita da polícia é de que, após transferências feitas às contas de intermediários do PCC, os valores retornariam em dinheiro vivo, com desconto de uma taxa operacional de 4%, mecanismo apontado como parte de um esquema de lavagem financeira.
A investigação cita Thiago Telles como operador da empresa Mediplus Serviços Médicos e um dos “beneficiários finais” do esquema sob análise policial. O empresário foi alvo de busca e apreensão na operação “Falso Mercúrio”, que teve novos desdobramentos nesta semana com a ação denominada “Falsa Las Vegas”. Telles também é apresentado em redes sociais e no setor empresarial como sócio e diretor de novos negócios da L2D Telemedicina.
Documentos da investigação apontam que a Mediplus recebeu cerca de R$ 37 milhões, entre 2020 e 2025, por prestação de serviços em hospitais do governo de Goiás administrados por organização social de saúde. Paralelamente, a Polícia Civil afirma que a empresa teria transferido R$ 2,3 milhões a intermediários do PCC entre 2023 e 2024 e recebido aproximadamente R$ 553 mil em operações financeiras ligadas ao grupo investigado.
Outra empresa do setor médico, a Medic360 Serviços Médicos, também aparece em documentos financeiros analisados pela polícia. Segundo a apuração, a companhia realizou pagamentos a empresas apontadas como intermediárias da facção, embora a investigação não a relacione diretamente a Thiago Telles. A empresa afirmou não ser alvo de investigação e negou qualquer envolvimento em atividades ilícitas.
O relatório policial também menciona que Telles e o empresário Luiz Fernando Donke participaram de evento empresarial ao lado do governador Ronaldo Caiado (PSD), em encontro do Lide realizado em 2024. Segundo a investigação, empresas ligadas aos empresários mantinham contratos com hospitais administrados por organizações sociais vinculadas ao governo goiano. Caiado afirmou ter relação apenas institucional com representantes citados e disse que não recebeu alertas prévios sobre eventuais irregularidades envolvendo fornecedores.
Em nota, a Mediplus afirmou que “não praticou nenhum ato ilícito” e declarou seguir rigorosamente a legislação vigente. A L2D Telemedicina informou desconhecer o conteúdo da investigação e disse que seus contratos seguem critérios técnicos e legais. Thiago Telles não havia se manifestado diretamente até a publicação da reportagem. A Secretaria de Saúde de Goiás afirmou colaborar com órgãos de controle e adotar política de “tolerância zero” contra irregularidades envolvendo recursos públicos.
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