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Lula retorna a Brasília sob pressão para reformar ministério e conter desgaste político
Lula retorna a Brasília sob pressão para reformar ministério e conter desgaste político
Saídas iminentes de Lewandowski e Haddad expõem fragilidade do primeiro escalão e forçam Planalto a antecipar reconfiguração do governo em meio a impasses no Congresso
Por: Redação
07/01/2026 às 14:37

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
De volta a Brasília após o recesso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta crescente pressão para promover mudanças no primeiro escalão do governo. A necessidade de uma reforma ministerial ganhou força com a iminente saída de dois nomes centrais da gestão: Ricardo Lewandowski, que deve deixar o Ministério da Justiça ainda nesta semana, e Fernando Haddad, que sinalizou a intenção de deixar a Fazenda até o fim de fevereiro.
No caso de Lewandowski, a decisão de antecipar a saída ocorre após conversas com o presidente no fim de 2025 e em meio ao enfraquecimento da PEC da Segurança Pública, principal aposta de sua gestão. Apesar de técnicos defenderem que o ministro permanecesse no cargo até a votação da proposta no Congresso, interlocutores confirmam que a decisão já foi comunicada ao Planalto e aos secretários da pasta. Nos bastidores, a avaliação é de que o ministro acumulou desgaste ao conduzir pautas sensíveis sem respaldo político suficiente do governo.
A possível saída de Lewandowski também reacende discussões internas no PT sobre a divisão do Ministério da Justiça, com a criação de uma pasta exclusiva para Segurança Pública. A ideia é vista por aliados como uma tentativa de responder às críticas recebidas pelo governo na área e de sinalizar mudança de rumo ao eleitorado.
Na equipe econômica, a pressão é semelhante. Fernando Haddad já indicou a Lula o desejo de deixar o comando da Fazenda no início de 2026, embora admita permanecer até o fim de fevereiro para garantir uma transição ordenada. O ministro avalia que seu papel na coordenação política da campanha de reeleição do presidente é incompatível com a condução da política econômica, ainda que Lula e o PT considerem alternativas eleitorais para ele, como uma candidatura ao governo de São Paulo ou ao Senado.
Antes mesmo do recesso, a área econômica já havia sofrido baixas. O então secretário de Reformas Econômicas, Marcos Barbosa Pinto, deixou o cargo em novembro, movimento interpretado por aliados como sinal de esgotamento da agenda de reformas estruturais neste mandato e de distanciamento entre o núcleo técnico e a estratégia política do governo.
O retorno de Lula à capital federal, portanto, ocorre em um ambiente de cobrança por mudanças rápidas e por maior articulação política. Com dificuldades no Congresso, desgaste em áreas estratégicas e a proximidade do calendário eleitoral de 2026, o Planalto é pressionado a redefinir prioridades e a reorganizar o ministério para evitar que a crise no primeiro escalão se aprofunde nos próximos meses.
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