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Lula troca ministro do Turismo para agradar Centrão e sinalizar trégua com Hugo Motta
Lula troca ministro do Turismo para agradar Centrão e sinalizar trégua com Hugo Motta
Saída de Celso Sabino expõe fragilidade política do Planalto e tentativa de recompor base após derrotas no Congresso
Por: Redação
17/12/2025 às 22:08

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu trocar o comando do Ministério do Turismo em um movimento claramente político, voltado a agradar o Centrão e, sobretudo, a sinalizar uma reaproximação com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A mudança foi anunciada durante reunião ministerial nesta quarta-feira (17).
O atual ministro Celso Sabino deixará o cargo para dar lugar ao paraibano Gustavo Feliciano, filho do deputado federal Damião Feliciano (União Brasil-PB), parlamentar alinhado ao governo e com forte trânsito junto a Hugo Motta. A escolha teve o aval direto do presidente da Câmara, que mantém relação próxima com pai e filho.
A troca ocorre em um momento de desgaste evidente entre o Planalto e a Câmara, especialmente após a aprovação de matérias sensíveis ao governo, como o PL da Dosimetria, que avançou apesar da resistência de setores governistas.
Um dia antes do anúncio oficial, Lula conversou por telefone com Hugo Motta e antecipou a mudança, segundo relatos de interlocutores. O gesto foi interpretado como uma tentativa de reduzir tensões e reconstruir pontes com o comando da Câmara, após sucessivos embates legislativos.
Em declaração à coluna, Motta elogiou a indicação:
“Eu tenho uma ótima relação com o deputado Damião Feliciano e conheço bem o trabalho do Gustavo Feliciano, que foi secretário do Governo da Paraíba. Se essa for a escolha do presidente, será uma escolha feliz.”
A fala evidencia que a nomeação atende mais a arranjos políticos do que a critérios técnicos, reforçando a percepção de que o governo Lula segue dependente do toma-lá-dá-cá para sobreviver no Congresso.
O movimento ocorre após semanas de dificuldades para o Planalto, que viu a Câmara avançar com pautas incômodas, contrariando interesses do governo. Nos últimos dias, Motta também fez gestos ao Executivo ao pautar e votar projetos da agenda econômica, como a regulamentação da reforma tributária e a redução de incentivos fiscais, mas deixou claro que o apoio tem preço.
A saída de Celso Sabino, portanto, não é apenas uma troca administrativa, mas um gesto político calculado, que expõe a fragilidade da articulação do governo Lula e a força crescente do Centrão na condução das decisões nacionais.
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