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Mensagens da PF indicam que Daniel Vorcaro editava reportagens do Metrópoles antes da publicação
Mensagens da PF indicam que Daniel Vorcaro editava reportagens do Metrópoles antes da publicação
Por: Redação
15/10/2026 às 20:36

Foto: Reprodução
Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro indicam que a direção do portal Metrópoles enviava reportagens para sua avaliação antes da publicação e atendia a pedidos de alteração nos textos. As conversas também mostram sugestões de pautas de interesse do então proprietário do Banco Master, segundo levantamento divulgado pelo UOL nesta quinta-feira (15 de outubro de 2026).
De acordo com a apuração, pelo menos 14 reportagens foram encaminhadas antecipadamente a Vorcaro. Em 11 delas, o conteúdo foi alterado após solicitações do empresário. As mensagens também registram publicações feitas a pedido dele, levantando questionamentos sobre a independência editorial do veículo.
Relação próxima e contrato milionário
A aproximação entre Vorcaro e Lilian Tahan, CEO do grupo Metrópoles, começou em maio de 2024, quando os dois se encontraram por intermédio de Guilherme Barros, então assessor de imprensa do Banco Master.
Naquele ano, o banco fechou um contrato de publicidade com o portal no valor de R$ 20 milhões. Antes da formalização do acordo, o Master já havia realizado pagamentos ao veículo e acertado recursos para projetos relacionados à educação financeira.
As mensagens analisadas pela reportagem mostram que Vorcaro considerava o portal importante para os interesses do grupo financeiro. Em uma conversa sobre o valor da proposta comercial, ele afirmou que o Metrópoles era uma das prioridades da empresa.
A proximidade entre os dois executivos se refletiu também no fluxo de informações jornalísticas. Em abril de 2025, ao enviar um perfil sobre Vorcaro, Lilian Tahan escreveu que não publicaria o texto antes de conversar com ele, pedindo que apontasse eventuais incorreções.
Pedidos de alteração em reportagens
As conversas indicam que Vorcaro opinava sobre conteúdos relacionados ao Banco Master e a operações financeiras envolvendo a instituição. Em abril de 2025, por exemplo, ele contestou uma informação sobre uma suposta proposta de compra de ativos do banco por R$ 1. A CEO respondeu que o trecho seria retirado.
Em outra ocasião, o banqueiro recebeu antecipadamente uma reportagem que comparava os balanços do Master e do Banco de Brasília (BRB). Ele afirmou que gostaria de conferir os dados antes da publicação, e o texto foi divulgado após essa consulta.
Vorcaro também solicitou a retirada de uma referência à Hapvida de uma reportagem sobre a venda de ativos do Master ao BTG Pactual. Segundo as mensagens, o pedido foi aceito.
Conteúdos sobre o Banco Central
As conversas também apontam interferência em reportagens sobre Renato Gomes, diretor do Banco Central que analisava a operação de compra do Master pelo BRB. Vorcaro sugeriu reduzir referências ao diretor em uma entrevista com o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e propôs mudanças em um perfil sobre Gomes.
Entre as sugestões estavam retirar trechos sobre a situação financeira do Master e incluir informações sobre supostas divergências internas no Banco Central. De acordo com o levantamento, as solicitações foram incorporadas ao conteúdo publicado.
O caso ganhou relevância porque Gomes se posicionou contra a aquisição do Master pelo BRB. A operação era considerada estratégica para o banco privado, mas enfrentou resistência e não recebeu autorização do Banco Central.
Pedido para reduzir cobertura de crítico
As mensagens mostram ainda que Vorcaro pediu a Lilian Tahan que reduzisse temporariamente a cobertura sobre Ricardo Cappelli, político que criticava a compra do Master pelo BRB e era pré-candidato da oposição ao governo do Distrito Federal.
“Esse Cappelli, você não consegue dar uma freada essa semana? Depois ele volta!”, escreveu o ex-banqueiro. A CEO respondeu: “Deixa comigo”.
O episódio reforça as dúvidas sobre a influência do empresário na escolha de pautas e na abordagem de assuntos relacionados aos interesses do banco.
Metrópoles nega relação entre publicidade e cobertura
Questionada sobre o envio prévio de reportagens a Vorcaro, Lilian Tahan afirmou que costuma consultar fontes para verificar se os textos refletem corretamente o contexto apresentado. Segundo ela, esse procedimento é adotado também com representantes do setor empresarial, da política e do Judiciário.
A executiva negou que o contrato publicitário firmado com o Banco Master tenha influenciado a cobertura jornalística do portal. Como argumento, citou reportagens publicadas pelo Metrópoles sobre dificuldades e questões envolvendo empresas ligadas a Vorcaro.
Em 17 de novembro de 2025, data da prisão do ex-banqueiro, Tahan ainda enviou a ele textos sobre a venda do Master à empresa Fictor antes de sua publicação. As mensagens indicam que houve ajustes no conteúdo e que a CEO avisou Vorcaro quando a reportagem foi publicada.
O material divulgado pela PF expõe a relação entre interesses comerciais e produção jornalística no caso, mas as mensagens e os relatos apresentados devem ser analisados no contexto da apuração. A existência de contato entre fonte e veículo, por si só, não comprova irregularidade criminal; os episódios levantam, sobretudo, questionamentos sobre transparência, autonomia editorial e possíveis conflitos de interesse.
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