Ministro admite erro político do governo Lula na articulação com o Congresso
Wellington Dias afirma que Planalto superestimou busca por maioria qualificada e deixou de consolidar apoio suficiente para aprovar pautas prioritárias
Por: Redação
08/06/2026 às 09:53

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, reconheceu que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu um erro de estratégia política ao tentar construir uma maioria qualificada no Congresso Nacional, em vez de concentrar esforços na manutenção de uma base parlamentar estável para garantir a aprovação das principais propostas do Executivo.
Segundo o ministro, o Planalto apostou em um objetivo considerado excessivamente ambicioso ao buscar apoio equivalente a dois terços dos parlamentares na Câmara dos Deputados e no Senado. Para ele, a prioridade deveria ter sido preservar e ampliar a base formada após as eleições de 2022, garantindo uma maioria simples capaz de sustentar a agenda governamental.
“Qual foi o erro político desse terceiro mandato do presidente Lula? A obsessão de ter dois terços na Câmara e no Senado, que era impossível”, afirmou Wellington Dias ao analisar a relação entre o governo e o Congresso.
A declaração ocorre em um momento de dificuldades crescentes para o governo federal no Legislativo. Nos últimos meses, o Planalto enfrentou derrotas importantes, viu partidos que ocupam ministérios se distanciarem politicamente da administração federal e encontrou resistência para avançar em pautas consideradas prioritárias.
O cenário se agravou após a saída formal de partidos da base governista. Em setembro de 2025, União Brasil e PP anunciaram o rompimento com o governo no contexto da formação da federação União Progressista. Com a decisão, dezenas de parlamentares passaram a integrar oficialmente a oposição, reduzindo ainda mais a margem de articulação do Palácio do Planalto.
Apesar das dificuldades, Wellington Dias avalia que as movimentações políticas ligadas às eleições de 2026 podem abrir espaço para novas negociações. Segundo ele, o governo pretende fortalecer alianças regionais e ampliar o diálogo com parlamentares por meio da participação em projetos e obras federais nos estados e municípios.
A fala do ministro representa uma das avaliações mais explícitas feitas por integrantes do primeiro escalão sobre os problemas de articulação política enfrentados pelo governo Lula ao longo do atual mandato.
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