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Moraes determina busca na casa de Bolsonaro sem manifestação prévia da PGR

Moraes determina busca na casa de Bolsonaro sem manifestação prévia da PGR

Procuradoria confirma que não foi consultada antes da operação; ministro justificou medida por divergências sobre armas registradas em nome do ex-presidente

Por: Redação

09/07/2026 às 06:30

Imagem de Moraes determina busca na casa de Bolsonaro sem manifestação prévia da PGR

Foto: Reprodução/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a realização de uma operação de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, sem solicitar manifestação prévia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A diligência foi realizada na quarta-feira (8) pela Polícia Federal e teve como objetivo localizar armas de fogo, munições, acessórios e documentos relacionados ao registro de armamentos. Segundo a assessoria da PGR, o órgão não foi consultado antes da decisão porque Moraes não abriu prazo para manifestação do Ministério Público Federal.

 

Moraes comunicou a PGR após a operação

De acordo com informações do STF, o ministro apenas deu ciência da medida ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, após o cumprimento da ordem judicial.

Interlocutores de Moraes afirmam que a consulta prévia à PGR não seria necessária porque a prisão domiciliar humanitária está sujeita às mesmas regras aplicáveis ao regime prisional comum. Segundo esse entendimento, tanto o juiz responsável quanto a direção do estabelecimento prisional podem determinar diligências quando considerarem necessário.

 

Busca terminou sem apreensões

O mandado autorizava a apreensão de armas, munições, registros de armamentos e outros materiais eventualmente relacionados à investigação.

Após a operação, a defesa de Jair Bolsonaro informou que nenhum dos itens procurados foi encontrado. A Polícia Federal também confirmou que não houve apreensão de materiais durante a diligência.

Na decisão, Moraes justificou a medida afirmando que existiam informações divergentes sobre a quantidade de armas registradas em nome do ex-presidente, circunstância que motivou a realização da busca.

 

Procedimento gera debate jurídico

Não é a primeira vez que Alexandre de Moraes adota uma decisão envolvendo Jair Bolsonaro sem manifestação prévia da Procuradoria-Geral da República. Em 2025, o ministro também determinou a prisão domiciliar do ex-presidente sem consultar previamente o órgão.

Especialistas em Direito ouvidos na ocasião apontaram que a medida gerou debate sobre a aplicação do Código de Processo Penal, que, após alterações promovidas pelo chamado "Pacote Anticrime", passou a prever que medidas cautelares, em regra, dependem de provocação do Ministério Público, do assistente da acusação ou do querelante.

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