Nova tarifa dos EUA amplia pressão sobre setor calçadista brasileiro
Abicalçados avalia que aumento da sobretaxa reduz a competitividade da indústria nacional e cobra medidas emergenciais para minimizar os impactos
Por: Redação
24/07/2026 às 09:15
Foto: Reprodução/X
A nova tarifa anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros agravou a preocupação da indústria calçadista nacional. Com a cobrança adicional de 12,5%, a sobretaxa incidente sobre determinadas categorias de produtos, incluindo calçados, passa a atingir 37,5%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
A medida foi divulgada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e levou a entidade a revisar o cenário para as exportações brasileiras, prevendo perda de competitividade no mercado norte-americano.
O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, afirmou que o setor já enfrentava dificuldades e que a nova decisão torna o cenário ainda mais desafiador.
"O que já estava ruim piorou", declarou o dirigente.
Segundo Ferreira, embora a medida represente um novo obstáculo para a indústria, ela não surpreendeu o setor.
A nova cobrança integra uma investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre políticas de combate ao trabalho forçado. No caso dos calçados brasileiros, os 12,5% serão somados à sobretaxa de 25% já aplicada em outra investigação comercial. Na prática, porém, o aumento efetivo da carga adicional é de 2,5 pontos percentuais, já que a sobretaxa temporária de 10% deixará de vigorar com a entrada em vigor da nova alíquota.
Além do setor calçadista, a medida também alcança diferentes produtos exportados pelo Brasil, como madeira processada, máquinas e equipamentos, plásticos, etanol, tabaco, pneus e outros manufaturados, observadas as exceções definidas pelo governo norte-americano.
A Abicalçados avalia que a nova política amplia a vantagem competitiva de fabricantes asiáticos, especialmente do Vietnã, Indonésia e Camboja, que enfrentam tarifas inferiores para acessar o mercado dos Estados Unidos.
"Perderemos ainda mais mercado para esses concorrentes", projetou Haroldo Ferreira.
Diante desse cenário, a entidade revisou suas estimativas para 2026. A previsão de queda nas exportações brasileiras de calçados, que já havia passado de 3,6% para 7,1% em razão da tarifa anterior, poderá ser ainda mais impactada com a nova cobrança.
Como resposta, a Abicalçados defendeu a ampliação do Reintegra, programa que devolve parte dos tributos pagos pelas empresas exportadoras, além da adoção de mecanismos de defesa comercial para conter o avanço das importações. Segundo a entidade, o aumento da concorrência externa, aliado à perda de espaço no mercado internacional, reforça a necessidade de medidas voltadas à proteção da indústria nacional.
Veja mais em >>> Rede Comunica Brasil




