A Polícia Federal aponta que o tráfico internacional de cocaína era uma das principais fontes de recursos ilícitos utilizados no esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao cantor MC Ryan SP, preso nesta quarta-feira (15) durante a Operação Narco Fluxo.
De acordo com a investigação, o grupo teria lavado valores provenientes do tráfico de mais de três toneladas de cocaína, além de recursos oriundos de apostas ilegais e rifas digitais. Os valores eram misturados a receitas de empresas ligadas à produção musical e à atividade do artista nas redes sociais.
A PF também identifica possível vínculo estrutural do esquema com o Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa com atuação nacional e internacional.
Segundo decisão da 5ª Vara Federal de Santos, foi determinado o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de 77 investigados, entre pessoas físicas e jurídicas. O valor foi estimado com base nos lucros supostamente obtidos com atividades ilícitas e nas movimentações financeiras identificadas por órgãos de controle.
As apurações tiveram origem em operações anteriores, como a Narco Vela, em 2025, e a Narco Bet, em 2026, que já indicavam a existência de um esquema estruturado para lavagem de dinheiro.
A Polícia Federal aponta MC Ryan SP como líder do grupo. Após a lavagem, os recursos eram reinseridos na economia formal por meio da aquisição de imóveis de alto padrão, veículos de luxo, joias e outros ativos.
A investigação também indica que o artista teria pago operadores de mídia para divulgar conteúdos favoráveis e promover plataformas associadas ao esquema, além de transferir participações societárias para terceiros, incluindo familiares, com o objetivo de ocultar patrimônio.
A operação mobiliza mais de 200 agentes e cumpre 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária em diversos estados.
Os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A defesa de MC Ryan SP afirmou que ainda não teve acesso aos autos do processo e declarou confiar que os esclarecimentos comprovarão a legalidade das atividades do artista.