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PF pede mais prazo para investigar Lulinha por suspeita de tráfico de influência
PF pede mais prazo para investigar Lulinha por suspeita de tráfico de influência
Por: Redação
21/10/2026 às 14:26

Foto: Reprodução
A Polícia Federal (PF) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação do prazo de duas investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os pedidos foram encaminhados em 2 de outubro ao ministro André Mendonça, relator dos inquéritos, e ainda aguardavam decisão até a publicação da reportagem da CNN Brasil, em 20 de outubro.
Segundo os investigadores, o prazo inicial de 60 dias não foi suficiente para concluir as apurações, que incluem diligências relacionadas ao Ministério da Saúde, à Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev) e a outros órgãos federais.
A PF argumenta que a continuidade das investigações é necessária para esclarecer as suspeitas, identificar eventuais irregularidades e avaliar a necessidade de novas medidas investigativas.
Os casos envolvem possíveis tentativas de intermediação de negócios com o poder público. Até o momento, as suspeitas investigadas não representam uma conclusão sobre a prática de crimes por parte dos envolvidos.
Investigação apura negócios na área de cannabis medicinal
Uma das frentes de investigação busca esclarecer se Lulinha teria atuado para favorecer uma empresa ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em negociações relacionadas a produtos medicinais à base de cannabis junto ao Ministério da Saúde.
A suspeita é de que o filho do presidente pudesse ter exercido influência para facilitar contratos ou procedimentos administrativos em benefício da empresa. Os investigadores também apuram a possível participação da empresária Roberta Luchsinger, apontada como intermediária na aproximação entre os envolvidos.
A relação entre Lulinha e Antunes passou a ser examinada após informações sobre a proximidade entre eles e uma viagem a Portugal, em junho de 2024. A PF busca esclarecer quem custeou os deslocamentos realizados por Lulinha e Roberta desde 2023, além de verificar se as viagens coincidiram com as de outros investigados.
A corporação também solicitou análises técnicas para avaliar possíveis reflexos das tratativas investigadas em normas do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) relacionadas à cannabis medicinal.
PF também apura possíveis benefícios junto à Dataprev
A segunda investigação busca esclarecer se Lulinha teria atuado para beneficiar uma empresa de tecnologia da informação em negociações com a Dataprev, estatal responsável por serviços tecnológicos ligados à Previdência Social.
A apuração envolve a empresa 3Structure IT Ltda. e contratos firmados com o poder público. Os investigadores procuram identificar possíveis vínculos entre empresários, intermediários e agentes públicos, além de verificar se houve tentativa de direcionar negócios ou obter vantagens por meio de influência.
Em manifestação à CNN Brasil, a 3Structure afirmou que venceu processos de contratação pública em conformidade com as normas aplicáveis e que seus contratos foram firmados de forma legal e transparente, sem intermediação de terceiros.
A Dataprev, por sua vez, negou à emissora ter acordos com a companhia mencionada na investigação.
Defesa de Lulinha critica prorrogação
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva classificou as novas diligências solicitadas pela Polícia Federal como uma possível “pesca probatória”, expressão utilizada para criticar investigações que, segundo os advogados, procuram novas suspeitas sem uma base concreta suficiente.
Em nota divulgada em 20 de outubro, os representantes do empresário afirmaram que a hipótese inicial da investigação envolvia supostos pagamentos mensais de R$ 300 mil por intermédio de Roberta Luchsinger. Segundo a defesa, os extratos bancários de Lulinha não registram transferências da empresária, o que, na avaliação dos advogados, enfraqueceria a suspeita original.
Os representantes também criticaram a ampliação das diligências para examinar viagens, movimentações financeiras e outras relações pessoais e comerciais. Para a defesa, a investigação estaria mudando de foco sem apresentar elementos que justificassem sua continuidade.
A defesa de Roberta Luchsinger também contestou a necessidade de prorrogar as apurações. À CNN Brasil, o advogado Roberto Podval afirmou que, na avaliação dele, o caminho adequado seria o arquivamento do inquérito.
As manifestações representam a posição dos investigados. A decisão sobre a continuidade das apurações cabe às autoridades competentes.
Caso tem três frentes de investigação no Supremo
Além dos dois inquéritos relatados por André Mendonça, Lulinha é citado em uma terceira investigação, sob relatoria do ministro Flávio Dino, que apura suspeitas de favorecimento de empresas junto ao governo federal.
Essa terceira frente também envolve o ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, além de Roberta Luchsinger e outros nomes mencionados nas apurações.
A Polícia Federal investiga possíveis relações comerciais, contatos com agentes públicos e movimentações financeiras que possam ajudar a esclarecer se houve favorecimento indevido. Parte dos procedimentos tramita sob sigilo.
A existência de investigações em andamento, contudo, não significa que os envolvidos tenham sido considerados culpados.
Pedidos aguardam definição no STF
Os pedidos de prorrogação foram apresentados após o encerramento do prazo inicial das investigações, em 2 de outubro. Embora tenham sido encaminhados a André Mendonça, os casos passaram a ser direcionados ao gabinete do presidente do STF, ministro Edson Fachin, em meio a uma indefinição sobre a tramitação dos processos.
Até a publicação da reportagem da CNN Brasil, não havia decisão sobre os pedidos de extensão do prazo.
A eventual prorrogação permitirá à PF prosseguir com as diligências pendentes. O objetivo dos investigadores é esclarecer as relações entre os suspeitos, empresas privadas e órgãos públicos, bem como verificar se existem elementos que sustentem as suspeitas investigadas.
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