PGR contesta laudo médico e mantém acusações contra ministro afastado do STJ
Parecer afirma que diagnóstico apresentado pela defesa não afasta possibilidade de assédio; processo disciplinar será analisado em agosto
Por: Redação
09/07/2026 às 07:50

Foto: Emerson Leal/STJ
A Procuradoria-Geral da República (PGR) contestou o laudo médico apresentado pela defesa do ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi e afirmou que o documento não elimina a possibilidade de ocorrência dos episódios de assédio sexual investigados. O parecer integra o processo disciplinar que apura denúncias contra o magistrado.
Marco Buzzi foi afastado temporariamente do cargo após denúncias consideradas graves por integrantes do tribunal. Além do procedimento administrativo no STJ, o ministro responde a uma investigação criminal que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).
PGR rebate argumento da defesa
A defesa apresentou um laudo médico elaborado por um urologista, segundo o qual o ministro apresenta quadro de disfunção erétil moderada, hipoandrogenismo e outras alterações relacionadas à função sexual masculina.
No entanto, o subprocurador-geral da República José Adonis, responsável pelo parecer, afirmou que o diagnóstico não impede a ocorrência das condutas investigadas.
"O documento, que conclui pela disfunção moderada apresentada pelo paciente, não traz qualquer referência que permita excluir a possibilidade da prática de assédio sexual pelo requerido", registrou o parecer.
Processo reúne denúncias de duas mulheres
O parecer da PGR considera relevantes os relatos apresentados por duas denunciantes.
Uma delas é uma jovem de 18 anos, que afirmou ter sido vítima de tentativa de abuso durante um passeio em uma praia de Balneário Camboriú (SC), em janeiro deste ano. A outra é uma ex-secretária do gabinete de Marco Buzzi, que relata sete episódios de assédio ocorridos entre 2023 e 2025.
Também foi citado o depoimento de um médico arrolado pela própria defesa. Segundo a PGR, a testemunha reconheceu que, apesar das limitações físicas apontadas no laudo, a ocorrência dos fatos narrados não seria impossível.
Defesa mantém versão de inocência
Em manifestação encaminhada ao processo, a defesa afirmou discordar do parecer da Procuradoria-Geral da República e sustentou que o laudo médico não foi apresentado como prova única.
Os advogados afirmam que também reuniram testemunhas, vídeos, registros e outros elementos que, segundo a defesa, demonstram a inocência do ministro.
O processo administrativo contra Marco Buzzi deverá ser analisado pelo plenário do Superior Tribunal de Justiça no mês de agosto.
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