Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva têm evitado fazer ataques públicos ao senador Ciro Nogueira após a operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (7) no âmbito da Operação Compliance Zero.
Segundo relatos de integrantes do Palácio do Planalto e divulgados pela coluna de Milena Texeira do Metrópoles, a orientação interna é evitar qualquer discurso que possa associar Lula ao uso político da Polícia Federal, especialmente em meio ao recente desgaste entre o governo e o Senado Federal após a rejeição do nome de Jorge Messias para vaga em tribunal superior.
A avaliação dentro do governo é que a viagem oficial de Lula aos Estados Unidos, acompanhado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ajuda a manter distância política da operação conduzida contra o presidente nacional do Progressistas.
Lula está em território norte-americano para encontro oficial com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Nos bastidores, integrantes do governo também lembram que Ciro Nogueira vinha mantendo diálogo político com o Planalto nos últimos meses. No fim do ano passado, o senador buscou apoio de Lula para fortalecer sua estratégia de reeleição no Piauí.
Na ocasião, Ciro se reuniu pessoalmente com o presidente e também participou de encontros com o governador do estado, Rafael Fonteles, durante agenda internacional na Suíça.
Segundo interlocutores, o entendimento informal construído entre petistas e o senador previa redução do tom das críticas de Ciro ao governo federal, enquanto o Planalto evitaria interferência direta no cenário eleitoral do Piauí.
Dentro do governo, auxiliares também avaliam que diferentes setores políticos — inclusive ligados ao PT — já mantiveram relações institucionais ou prestaram serviços ao Banco Master, instituição financeira ligada ao empresário Daniel Vorcaro.
Em março, veio à tona que familiares do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, apareciam vinculados à folha de pagamento do banco investigado.
A Operação Compliance Zero apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo o Banco Master e agentes públicos.