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Polícia prende suspeito de facilitar ataque hacker que desviou até R$ 800 milhões via PIX
Polícia prende suspeito de facilitar ataque hacker que desviou até R$ 800 milhões via PIX
Funcionário de empresa de tecnologia teria fornecido acesso sigiloso a hackers; pelo menos seis bancos foram afetados no maior ataque cibernético registrado no Brasil
Por: Redação
04/07/2025 às 08:51

Foto: Marcello Casal/Agência Brasil
A Polícia Civil de São Paulo prendeu na quinta-feira (3) João Nazareno Roque, funcionário da empresa C&M Software (CMSW), suspeito de facilitar um ataque hacker que desviou milhões de reais de pelo menos seis bancos conectados ao sistema PIX do Banco Central. O caso, um dos mais graves já registrados no país, abalou o mercado financeiro na última quarta-feira (2).
Segundo o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Roque teria cedido suas credenciais para que os hackers acessassem sistemas sigilosos da CMSW, empresa responsável pela conexão de bancos menores e fintechs aos sistemas do Banco Central. A prisão ocorreu no bairro de City Jaraguá, Zona Norte de São Paulo. A defesa do suspeito ainda não foi localizada, e a CMSW não se manifestou até o momento.
De acordo com a investigação, o preso confirmou informalmente ter compartilhado sua senha e ajudado os invasores a ingressarem no sistema para realizar transferências via PIX. Uma conta que chegou a movimentar R$ 270 milhões, usada para receber o dinheiro desviado, já foi bloqueada. A polícia continua apurando a participação de outros envolvidos.
A C&M Software informou às autoridades que criminosos utilizaram credenciais de seus clientes para acessos fraudulentos, permitindo a invasão e manipulação das contas de reserva de ao menos seis instituições financeiras. O Banco Central ainda não divulgou oficialmente o nome das instituições afetadas nem os valores totais, mas fontes da TV Globo estimam que o montante desviado pode alcançar R$ 800 milhões.
A C&M Software é uma empresa brasileira de tecnologia da informação que atua como intermediária entre bancos e fintechs menores e o Banco Central, oferecendo conectividade e integração ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Isso permite que essas instituições façam operações via PIX e outras transações financeiras. A CMSW é homologada pelo Banco Central desde 2001, sendo uma das nove empresas com essa autorização no país.
O ataque ocorreu após os hackers obterem credenciais sigilosas, fornecidas por João Nazareno Roque, que permitiram o acesso indevido às contas de reserva — contas mantidas pelos bancos no Banco Central para processar suas operações financeiras e garantir a liquidez e cumprimento de obrigações. A invasão possibilitou transferências fraudulentas via PIX, com movimentação milionária em uma conta usada para lavagem do dinheiro.
O ataque expõe vulnerabilidades no sistema financeiro brasileiro, especialmente no uso de empresas terceirizadas para conectar bancos menores ao Banco Central. A Polícia Civil segue investigando e pode realizar novas prisões. Enquanto isso, o Banco Central monitora a situação e trabalha para reforçar a segurança do sistema.
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