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Presidente da Câmara do Paraguai rebate fala de Lula sobre Guerra da Tríplice Aliança
Presidente da Câmara do Paraguai rebate fala de Lula sobre Guerra da Tríplice Aliança
Raúl Latorre afirma que presidente brasileiro tratou conflito com "demasiada leveza" e diz que versão apresentada ignora fatos históricos apontados por parlamentares paraguaios
Por: Redação
27/07/2026 às 08:33

Foto: Reprodução
O presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, criticou as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra da Tríplice Aliança. Em publicação na rede social X, o parlamentar afirmou que o chefe do Executivo brasileiro tratou o episódio "com demasiada leveza" e apresentou uma versão incompleta sobre as origens do conflito.
A manifestação ocorreu dois dias após Lula defender novos investimentos nas Forças Armadas durante visita à empresa Avibras Aeroco, em Jacareí (SP). Na ocasião, o presidente citou a Guerra da Tríplice Aliança como exemplo ao argumentar que o Brasil deve estar preparado para proteger sua soberania.
Em resposta, Latorre afirmou que o conflito representa a maior tragédia da história do Paraguai e contestou a narrativa apresentada pelo presidente brasileiro.
"Lula está falando com demasiada leveza da maior tragédia da nossa história, o maior genocídio do nosso continente."
O parlamentar também declarou que a Guerra da Tríplice Aliança teve início após a intervenção militar do Brasil no Uruguai e ressaltou que o conflito deixou o Paraguai devastado.
"Nós conhecemos o verdadeiro valor da paz, porque a pagamos com o nosso sangue."
Durante o discurso que motivou a reação, Lula afirmou que o Brasil precisa manter as Forças Armadas preparadas diante dos desafios internacionais e recordou que, segundo sua narrativa, o Paraguai invadiu o território brasileiro, além de Uruguai e Argentina, dando início ao conflito que se estendeu por cinco anos.
As declarações do presidente brasileiro também provocaram manifestações de outros parlamentares paraguaios. O deputado Rubén Rubín acusou Lula de tentar "distorcer a história" e afirmou que um povo que esquece seu passado permite que outros reescrevam sua trajetória conforme interesses políticos. Já a senadora Esperanza Martínez classificou a fala como um resquício do "imperialismo" e acusou a elite brasileira de manter uma política histórica de domínio sobre o Paraguai. O senador e historiador Eduardo Nakayama também contestou a versão apresentada por Lula e lembrou que a intervenção militar do Império do Brasil no Uruguai antecedeu a invasão paraguaia ao então Mato Grosso.
A Guerra da Tríplice Aliança foi travada entre 1864 e 1870, envolvendo Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai. Conforme destaca a reportagem, parte da historiografia considera que a intervenção brasileira no Uruguai contribuiu para a escalada da crise. Posteriormente, o Paraguai apreendeu o navio brasileiro Marquês de Olinda e invadiu a então província de Mato Grosso, episódio que levou à formação da Tríplice Aliança e ao avanço das tropas aliadas sobre o território paraguaio.
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