Pressão do PT sobre Alcolumbre preocupa governo e amplia desgaste no Senado
Declaração de líder petista sobre PEC do fim da escala 6x1 gera reação no Congresso e dificulta tentativa de reaproximação entre Lula e o presidente do Senado
Por: Redação
10/07/2026 às 07:22
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
A escalada de críticas de aliados do governo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), passou a preocupar integrantes do Palácio do Planalto e dirigentes do PT. O alerta foi intensificado após o líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), afirmar que Alcolumbre seria considerado um "inimigo" caso não desse andamento à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1.
A declaração provocou forte reação entre senadores e foi classificada por integrantes do governo como um movimento que dificulta as negociações com o comando do Senado.
Planalto tenta conter desgaste
Segundo interlocutores do governo, a fala de Uczai não representa a posição oficial das bancadas governista e petista no Congresso.
Ministros responsáveis pela articulação política avaliam que o episódio prejudica o esforço para reconstruir o diálogo com Alcolumbre, considerado peça-chave para o avanço de projetos prioritários do Executivo.
Relação entre Lula e Alcolumbre permanece desgastada
A relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Davi Alcolumbre atravessa um período de tensão desde a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Desde então, os encontros entre os dois se tornaram raros, e a interlocução diminuiu significativamente. Segundo aliados, esse cenário contribuiu para o atraso na tramitação de propostas consideradas estratégicas pelo governo, entre elas a PEC que acaba com a escala 6x1.
Aprovada pela Câmara dos Deputados em maio, a proposta ainda aguarda encaminhamento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, etapa que depende de decisão da presidência da Casa.
Alcolumbre rejeita pressão
Após as declarações de Pedro Uczai, Davi Alcolumbre divulgou nota afirmando que não aceitará ameaças ou tentativas de intimidação.
O presidente do Senado ressaltou que a definição da pauta legislativa é uma prerrogativa da Presidência da Casa e não será conduzida por pressões políticas ou eleitorais.
Nos bastidores, Alcolumbre também tem demonstrado insatisfação com a campanha nas redes sociais em defesa da votação da PEC. Segundo interlocutores, ele considera que parte das manifestações ultrapassa o debate político e assume caráter de ataque pessoal.
Governo aposta na reaproximação
Apesar do desgaste, integrantes do governo afirmam que Alcolumbre continua disposto a manter o diálogo com o Palácio do Planalto e aguarda uma reunião com Lula.
A tentativa de reconstruir a relação vem sendo conduzida pela líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e pelo líder do PT na Casa, Camilo Santana (PT-CE), que, segundo aliados, mantêm boa interlocução com o presidente do Senado e trabalham para reduzir as tensões entre o Executivo e o Congresso.
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