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Receita aponta repasses de R$ 80 milhões do Banco Master a escritório ligado à esposa de ministro do STF

Receita aponta repasses de R$ 80 milhões do Banco Master a escritório ligado à esposa de ministro do STF

Valores milionários e contrato de longo prazo ampliam questionamentos sobre relações entre setor financeiro e figuras próximas ao Judiciário

Por: Redação

09/04/2026 às 10:16

Imagem de Receita aponta repasses de R$ 80 milhões do Banco Master a escritório ligado à esposa de ministro do STF

Foto: Divulgação/ Banco Master

Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado no Senado indicam que o Banco Master repassou cerca de R$ 80 milhões ao escritório da advogada Viviane Barci entre 2024 e 2025. Os dados foram obtidos após a quebra de sigilo fiscal da instituição financeira.

O escritório é ligado à esposa do ministro Alexandre de Moraes, o que amplia a sensibilidade política do caso em meio às investigações envolvendo o banco e seu controlador, Daniel Vorcaro.

Segundo os registros fiscais, os pagamentos foram declarados por meio de retenções na fonte, associadas à emissão de notas por prestação de serviços jurídicos. Parte dos valores coincide com um contrato firmado entre o banco e o escritório, que previa pagamentos mensais de R$ 3,5 milhões ao longo de 36 meses — totalizando R$ 129 milhões.

Uma cópia do contrato foi encontrada no celular de Vorcaro durante as investigações, e os documentos da Receita confirmam que ao menos parte significativa dos valores foi efetivamente paga.

Em nota, o escritório afirmou que “não confirma as informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”. A defesa sustenta que os serviços foram prestados regularmente, incluindo a elaboração de pareceres jurídicos e reuniões técnicas ao longo do período.

De acordo com o relator da CPI, o senador Alessandro Vieira, o volume de recursos evidencia a complexidade do caso. “Esse é o tamanho do problema que está no colo de nós, senadores [...] e que afeta o alicerce da democracia, que é a credibilidade das instituições”, afirmou durante sessão no Senado.

O escritório informou ainda que produziu dezenas de pareceres e realizou reuniões frequentes com o banco, alegando que os valores correspondem à dimensão e à duração dos serviços prestados.

Além das transações financeiras, o caso também chama atenção para a evolução patrimonial da família do ministro. Registros públicos indicam a aquisição recente de imóveis de alto valor por meio de empresa familiar, incluindo uma residência de luxo em Brasília e propriedades em Campos do Jordão.

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