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TCU aponta falhas em programa de fronteiras e alerta para avanço de facções no país
TCU aponta falhas em programa de fronteiras e alerta para avanço de facções no país
Auditoria revela baixa execução de ações estratégicas e cobra reestruturação de política adotada como prioridade pelo governo Lula
Por: Redação
25/03/2026 às 15:24

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas relevantes na execução do Programa de Proteção Integrada de Fronteiras (PPIF), apontando que a baixa efetividade da iniciativa tem contribuído para o fortalecimento de organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho, além de ampliar riscos à segurança pública no país.
De acordo com o relatório técnico, apenas 54% dos planos de ação previstos foram executados desde a criação do planejamento estratégico. Dos 42 projetos estruturados para integrar órgãos de segurança e inteligência, 19 não foram implementados ou foram interrompidos ao longo do processo.
O documento destaca que a ineficiência do programa favorece crimes transnacionais, como tráfico de drogas, armas e contrabando. “Essa ineficácia favorece o tráfico de drogas e de armas, o contrabando e o fortalecimento de organizações criminosas, comprometendo a segurança pública e a soberania nacional”, afirma trecho da auditoria.
Com base em dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), o TCU aponta que facções como o PCC e o Comando Vermelho têm ampliado sua atuação, especialmente em operações ligadas ao crime organizado internacional. A fragilidade no controle das fronteiras é apontada como um dos principais fatores que permitem essa expansão.
Entre os problemas identificados estão falhas de governança, ausência de integração entre órgãos, planejamento sem força normativa, metas e indicadores inadequados, além da falta de comunicação com instâncias estratégicas do governo. Também foi registrada a substituição frequente de representantes titulares, o que compromete a continuidade das ações.
Criado em 2016, o PPIF foi concebido para integrar Forças Armadas, Polícia Federal, Receita Federal e governos estaduais no combate ao crime nas regiões de fronteira. Apesar disso, segundo o tribunal, o programa não alcançou o nível de coordenação esperado ao longo dos anos.
Mesmo com origem em gestões anteriores, o atual governo incorporou o programa como eixo central da política de segurança ao editar, em 2024, o decreto que instituiu a Política Nacional de Fronteiras, mantendo o PPIF como principal instrumento operacional.
Diante do cenário, o TCU determinou que o Comitê-Executivo do programa apresente, em até 180 dias, uma reestruturação completa do planejamento estratégico, com o objetivo de corrigir falhas e aumentar a efetividade das ações.
O relatório reforça que, sem ajustes estruturais, a fragilidade nas fronteiras tende a continuar favorecendo o avanço do crime organizado e ampliando os desafios de segurança no país.
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