Início
/
Notícias
/
Economia
/
Apenas 2,5% dos trabalhadores CLT ganham mais de 10 salários mínimos no Brasil
Apenas 2,5% dos trabalhadores CLT ganham mais de 10 salários mínimos no Brasil
Dados da Rais revelam forte concentração de renda e reforçam debate sobre pejotização e Previdência
Por: Redação
21/10/2025 às 11:39

Foto: Agência Brasília
Apenas 1,1 milhão de trabalhadores formais no Brasil — ou 2,51% do total de 45,1 milhões com carteira assinada — recebem acima de 10 salários mínimos, ou seja, mais de R$ 15.180 por mês. O dado foi levantado com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e reflete a estrutura da pirâmide salarial no país
Segundo o levantamento, 81,4% dos trabalhadores ganham até cinco salários mínimos, enquanto mais da metade (53%) recebe entre zero e dois salários. Outros 10,5% não têm informações salariais especificadas. A baixa representatividade da faixa mais alta também significa uma contribuição reduzida para a Previdência Social, já que há um teto máximo para recolhimento de INSS.
O cenário de concentração salarial está diretamente relacionado ao julgamento que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), no qual os ministros discutirão regras para a pejotização — prática em que trabalhadores deixam o regime CLT para prestar serviços como pessoa jurídica.
Uma das propostas analisadas é permitir a pejotização para trabalhadores com salários acima de 10 mínimos, sob o argumento de que esse grupo tem maior capacidade de negociação e independência financeira.
O governo federal, porém, é contra a medida e alega que a pejotização “corroi direitos trabalhistas” e ameaça a arrecadação previdenciária. O ministro Luiz Marinho chegou a afirmar que validar amplamente a pejotização seria “um crime contra a ordem econômica do país”.
Impacto na Previdência e desigualdade
Mesmo representando a elite salarial, os trabalhadores que ganham acima de 10 salários mínimos têm contribuição limitada ao teto previdenciário — hoje de R$ 951,62 mensais. Com isso, mais de 95% da arrecadação previdenciária vem de trabalhadores que ganham abaixo desse valor.
Enquanto isso, o déficit da Previdência chegou a R$ 297,4 bilhões em 2024, ampliando a pressão sobre o sistema e acirrando o debate sobre reformas e sustentabilidade fiscal.
A disparidade de rendimentos também tem forte recorte regional e educacional. São Paulo concentra 30,3% dos trabalhadores formais, sendo o estado com maior número de pessoas acima da faixa dos 10 salários mínimos. A maioria desses profissionais possui ensino superior, enquanto mais de 59% dos trabalhadores brasileiros têm apenas ensino médio completo.
O cenário reforça a distância entre a elite salarial e a maioria da população economicamente ativa, com reflexos diretos na arrecadação tributária, na Previdência e na política trabalhista.
Veja mais em >>> Rede Comunica Brasil
Assine nossa news letter
Receba as principais notícias do dia direto no seu e-mail.




