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Bolsa Família encolhe sob Lula e perde 2,1 milhões de famílias em meio a cortes e aperto fiscal
Bolsa Família encolhe sob Lula e perde 2,1 milhões de famílias em meio a cortes e aperto fiscal
Programa termina 2025 com menos beneficiários, filas recordes e falta de transparência sobre exclusões, enquanto gastos seguem elevados e governo enfrenta dificuldade para fechar as contas
Por: Redação
12/12/2025 às 08:08

Foto: Lyon Santos/ MDS
O Bolsa Família encerra 2025 atendendo 18,7 milhões de famílias, com benefício médio de R$ 691,37 por mês. O número representa uma redução de 2,1 milhões de beneficiários ao longo do terceiro ano do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcando uma inflexão significativa no principal programa social do governo.
A queda ocorre após um período de revisões cadastrais mais rígidas e mudanças no Cadastro Único, reformulado em março deste ano. A partir do segundo semestre, a administração federal intensificou um pente-fino no programa, em meio à escassez de recursos para manter o volume de pagamentos herdado dos anos anteriores.
Em dezembro de 2024, o Bolsa Família alcançava 20,8 milhões de famílias — 11,2% a mais do que no mesmo mês de 2025. O contraste chama atenção porque o programa havia sido ampliado de forma expressiva em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro (PL), quando, no saldo dos quatro anos de gestão, 7,5 milhões de famílias foram incorporadas ao auxílio.
Apesar da redução no número de beneficiários, o valor médio pago cresceu de forma acelerada, muito acima da inflação acumulada no período. Em dezembro de 2018, o benefício médio era de R$ 186,78. Ao fim de 2022, já havia saltado para R$ 607,14. Em 2025, atinge R$ 691,37, pressionando ainda mais as contas públicas.
O governo federal atribui a queda no número de famílias atendidas principalmente ao aumento de renda de parte dos beneficiários. No entanto, essa explicação não cobre todo o cenário. Há registros de exclusões motivadas por fraudes identificadas nas revisões cadastrais e de famílias que, mesmo após apresentarem toda a documentação exigida, continuam impedidas de receber o benefício. Não há transparência oficial sobre o perfil ou o volume exato desses excluídos.
Os pagamentos de dezembro começaram na quarta-feira (10) e seguem até o dia 23, com antecipação para garantir os depósitos antes do Natal.
Mesmo com menos beneficiários, o Bolsa Família continua consumindo cifras bilionárias. Em dezembro de 2025, o governo empenhou R$ 12,7 bilhões com o programa. Em janeiro de 2022, esse valor era de R$ 3,7 bilhões. O pico ocorreu em junho de 2023, quando os gastos chegaram a R$ 15 bilhões. Desde então, houve uma queda de cerca de 15%, insuficiente para aliviar de forma significativa a pressão fiscal.
Outro dado preocupante é o crescimento da fila de famílias habilitadas para entrar no Bolsa Família. Em novembro, havia 987,6 mil famílias aguardando a concessão do auxílio — o maior patamar do atual governo. Os dados de dezembro ainda não foram divulgados.
Embora filas também tenham existido em gestões anteriores, inclusive com picos durante o governo Bolsonaro, o avanço recente ocorre em um momento de forte restrição orçamentária. Na prática, o governo reduziu beneficiários ao longo do segundo semestre para conseguir concluir os pagamentos do ano, sem apresentar critérios claros ou informações detalhadas sobre quem ficou de fora.
O programa chegou ao fim do primeiro semestre atendendo 20,5 milhões de famílias, mas passou por cortes sucessivos nos meses seguintes. Sem essa redução, segundo avaliações internas, não haveria recursos suficientes para fechar o exercício fiscal de 2025.
Especialistas apontam que o cenário expõe contradições do modelo atual de assistência social: benefícios cada vez mais altos, menos famílias atendidas, filas crescentes e baixa transparência, em um contexto de dificuldades fiscais e expansão do chamado Estado de bem-estar social no pós-pandemia.
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