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Dólar dispara ao maior nível desde outubro e Ibovespa recua após decisão do Fed
Dólar dispara ao maior nível desde outubro e Ibovespa recua após decisão do Fed
Mercado reage a corte de juros nos EUA enquanto investidores aguardam sinalizações do Copom e demonstram desconfiança crescente sobre política fiscal brasileira
Por: Redação
10/12/2025 às 18:53

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O dólar comercial voltou a disparar nesta quarta-feira (10.dez.2025), fechando em alta de 0,62%, cotado a R$ 5,469, o maior patamar desde 14 de outubro — repetindo a máxima registrada naquela data e superando a barreira simbólica que vinha segurando o câmbio nas últimas semanas. Na mínima do dia, a moeda marcou R$ 5,419; na máxima, R$ 5,49.
O Ibovespa também refletiu o mau humor generalizado: às 17h11, o principal índice da B3 recuava 0,92%, aos 159.441 pontos, pressionado por fuga de capital estrangeiro e aumento da percepção de risco sobre o Brasil.
O Federal Reserve reduziu os juros dos EUA em 0,25 ponto, para o intervalo de 3,50% a 3,75%, o menor nível desde 2022. A decisão veio alinhada às expectativas, mas o mercado esperava sinalizações mais claras sobre o ritmo de cortes em 2026.
O cenário ficou ainda mais dividido dentro do próprio Fed:
9 diretores votaram pelo corte de 0,25 p.p.;
Stephen Miran, indicado por Donald Trump, votou por um corte maior, de 0,5 p.p.;
2 votaram pela manutenção da taxa.
Apesar do corte, a expectativa global de juros menores não foi suficiente para impulsionar mercados emergentes — em especial o Brasil, onde o ambiente fiscal e o aumento de gastos do governo Lula seguem no radar como fatores de instabilidade.
Os agentes financeiros aguardam o comunicado do Copom, que anunciará nesta quarta-feira a nova taxa Selic.
A projeção majoritária é de manutenção do juro-base em 15%, mas a dúvida central é o tom do comunicado, especialmente após:
aumento do salário mínimo acima do previsto,
aceleração das despesas obrigatórias,
e resistência do governo em cumprir o novo arcabouço fiscal.
Investidores temem que o BC seja mais duro na linguagem, reforçando riscos fiscais e deixando portas abertas para eventuais altas na Selic caso a inflação volte a acelerar.
O IPCA acumulado em 12 meses recuou de 4,68% para 4,46% em novembro — dentro do limite de tolerância do CMN.
O INPC ficou em 4,18%, índice que serve como base para o reajuste do salário mínimo.
Mesmo com a desaceleração, o mercado segue cético: o BC havia previsto que a inflação só ficaria dentro da meta no 1º trimestre de 2026, e os recentes movimentos do governo Lula — sobretudo aumento de gastos e mudanças constantes na política fiscal — colocam novas pressões sobre preços e juros.
O governo anunciou que o salário mínimo será reajustado para R$ 1.621 em 2026, aumento de R$ 103.
O valor é inferior ao previsto no PLDO aprovado pelo Congresso (R$ 1.627).
Como base para:
benefícios previdenciários,
aposentadorias,
BPC,
e programas sociais,
o aumento reforça o impacto do gasto obrigatório — um dos principais pontos de preocupação nos mercados sobre a capacidade do governo de cumprir metas fiscais.
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