Fazenda projeta inflação de 3,6% em 2026 e aposta em desinflação contínua
Estimativa oficial vê IPCA abaixo do teto da meta, mas reconhece riscos externos e pressões pontuais sobre alimentos
Por: Redação
06/02/2026 às 14:54

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
O Ministério da Fazenda estima que a inflação medida pelo IPCA fechará 2026 em 3,6%, de acordo com o Boletim Macrofiscal de 2025 e Perspectivas para 2026, divulgado nesta sexta-feira (6) pela Secretaria de Política Econômica (SPE). A projeção indica manutenção do processo de desinflação observado nos últimos anos, com o índice permanecendo abaixo do teto da meta e mais próximo do centro definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Segundo a Fazenda, o cenário inflacionário projetado reflete fatores externos e domésticos considerados favoráveis, como o excesso de oferta global de bens, a queda dos preços internacionais de combustíveis e os efeitos defasados do recente enfraquecimento do dólar. O documento também destaca o impacto da política monetária contracionista adotada nos últimos períodos, que tende a continuar influenciando a desaceleração dos preços.
A SPE avalia que a inflação de bens industriais e de serviços deve seguir em trajetória de arrefecimento ao longo de 2026. Já os preços monitorados — que incluem combustíveis e tarifas de energia elétrica — também devem registrar alta mais moderada, sustentados pela expectativa de reajustes menores nesses itens, historicamente sensíveis ao orçamento das famílias.
Em contrapartida, o governo reconhece a existência de pressões moderadas sobre os preços de alimentos. Entre os fatores de risco estão a alternância de eventos climáticos, a menor oferta de carne bovina no Brasil e nos Estados Unidos e a perspectiva de produção reduzida de alguns produtos in natura e semielaborados, como arroz, trigo, tomate e batata.
Apesar dessas pressões específicas, a Fazenda sustenta que o quadro inflacionário segue compatível com uma eventual redução gradual da taxa básica de juros, desde que não haja deterioração relevante do ambiente internacional. O relatório, no entanto, adota cautela ao listar riscos que podem comprometer a trajetória projetada.
Entre os principais vetores de incerteza estão choques geopolíticos, novas disputas tarifárias entre grandes economias e uma desaceleração mais intensa da China.
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