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Influenciadores receberam ofertas de até R$ 2 milhões para defender o Banco Master durante processo de liquidação
Influenciadores receberam ofertas de até R$ 2 milhões para defender o Banco Master durante processo de liquidação
Documentos, mensagens e propostas contratuais indicam campanha organizada para atacar o Banco Central e sustentar narrativa favorável ao banco, alvo de investigação da Polícia Federal
Por: Redação
08/01/2026 às 09:33

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Influenciadores digitais receberam ofertas que chegavam a R$ 2 milhões para produzir conteúdos em defesa do Banco Master durante o processo de liquidação conduzido pelo Banco Central. As informações constam em documentos bancários, mensagens e propostas contratuais reveladas pela imprensa e analisadas por investigadores.
A estratégia, batizada internamente de “Projeto DV”, em referência ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, previa a contratação de influenciadores com grande alcance nas redes sociais para publicar conteúdos mensais questionando a atuação do Banco Central e lançando dúvidas sobre a legalidade da liquidação da instituição financeira.
De acordo com os registros, os valores oferecidos variavam conforme o número de seguidores. Um influenciador com mais de 1 milhão de seguidores recebeu proposta de R$ 2 milhões para um contrato de três meses, com a exigência de oito publicações mensais. Já perfis com menos de 500 mil seguidores foram sondados com ofertas de cerca de R$ 250 mil no mesmo período, mantendo a mesma frequência de postagens. Em ao menos um caso, o pagamento teria sido feito antes mesmo da primeira publicação.
Os contratos previam cláusulas de confidencialidade rigorosas, com o objetivo de criar a aparência de um movimento espontâneo nas redes sociais, sem identificação de patrocínio ou vínculo direto com o banco. A atuação coordenada buscava reforçar críticas ao Banco Central justamente no momento em que a autoridade monetária tomava decisões relacionadas à liquidação do Master.
As abordagens teriam sido feitas por intermédio da Agência Mithi, comandada por Thiago Miranda, ex-CEO e sócio do Grupo Leo Dias. Prints de transferências bancárias indicam que ao menos parte dos valores saiu da conta pessoal de Miranda. Segundo os registros societários, o empresário Flávio Carneiro detém 60% das cotas da agência.
O jornalista Leo Dias negou qualquer relação entre o portal que leva seu nome e a agência envolvida, informando que Thiago Miranda deixou o grupo em junho. Miranda, por sua vez, não respondeu aos pedidos de esclarecimento feitos pela imprensa.
Entre os influenciadores abordados está o deputado estadual Leo Siqueira (Novo-SP), conhecido por críticas públicas ao atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Segundo o parlamentar, ele recusou a proposta ao perceber que a campanha tinha como objetivo central blindar Daniel Vorcaro e o Banco Master. As abordagens teriam ocorrido por meio de publicitários ligados a outras empresas de comunicação, sempre com exigência prévia de assinatura de acordos de confidencialidade.
O material analisado aponta que os nomes do banco e de seus controladores só eram revelados após a assinatura desses termos, o que, segundo especialistas, pode caracterizar tentativa de ocultação da origem do financiamento das campanhas digitais.
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