Deputados do Panamá reagiram à manifestação da Embaixada da China contra a criação de um grupo parlamentar voltado ao diálogo com Taiwan. A representação diplomática chinesa classificou a iniciativa como motivo de “forte descontentamento e enérgico repúdio” e pediu que os parlamentares interrompessem os contatos com a ilha.
Criado na terça-feira (8), o grupo reúne 45 dos 71 integrantes da Assembleia Nacional, o equivalente a mais de 60% do Legislativo panamenho. Entre os participantes estão integrantes da direção da Casa e da comissão de relações exteriores.
A iniciativa pretende estabelecer um canal de comunicação entre parlamentares do Panamá e de Taiwan, sem modificar formalmente a política diplomática adotada pelo governo panamenho.
Parlamentares rejeitam pressão diplomática
O deputado Medin Jiménez, presidente do grupo, afirmou que os parlamentares não pretendem alterar sua posição diante da manifestação chinesa.
“Eles têm a posição deles, e nós temos a nossa como panamenhos.”
Segundo Jiménez, o grupo parlamentar não representa uma mudança na política externa oficial do Panamá, mas busca ampliar o intercâmbio entre representantes dos dois lados.
O deputado Luis Duke também criticou a manifestação de Pequim. Para ele, a posição da embaixada ultrapassou os limites de uma manifestação diplomática ao tentar influenciar uma decisão tomada dentro do Legislativo.
Duke destacou ainda o interesse panamenho em manter contatos com Taiwan por causa da experiência da ilha em áreas como tecnologia, inovação e produção de semicondutores.
Presidente se distancia da iniciativa
O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, adotou uma posição diferente da dos parlamentares e procurou separar a iniciativa legislativa da política externa do Executivo.
Em uma publicação no X, Mulino lembrou que a condução das relações exteriores é atribuição do governo. Segundo ele, viagens e intercâmbios de informações realizados por parlamentares com Taiwan não representam, por si só, uma mudança na posição oficial do país.
O Panamá rompeu relações diplomáticas com Taiwan em 2017 e passou a reconhecer o princípio de “uma só China”, alinhando sua política externa à posição de Pequim.
A China considera Taiwan parte de seu território e se opõe a iniciativas oficiais que possam representar reconhecimento político da ilha. Nesse contexto, a criação do grupo parlamentar panamenho abriu uma nova frente de discussão sobre os limites da atuação legislativa em relação à política externa do país.