
Foto: Divulgação: Agência Brasil
O dólar comercial disparou nesta segunda-feira (26), chegando a R$ 5,605, com alta de 12,52% às 9h30, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada no domingo (25). A movimentação ocorreu no primeiro pregão após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, em que Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo dados publicados pelo Poder360, o resultado eleitoral provocou uma forte reação no mercado financeiro. Com 100% das urnas apuradas, Lula recebeu 51,79% dos votos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 48,21%. Na sexta-feira (23), antes da votação, o dólar havia encerrado o pregão em R$ 4,993, após recuar 0,90%.
Resultado eleitoral surpreendeu investidores
A forte valorização da moeda norte-americana foi associada à surpresa dos investidores com o resultado das urnas. De acordo com Juliano Lara Fernandes, especialista em mercado financeiro e gestão patrimonial da Armada, parte dos gestores havia se posicionado esperando uma vitória de Flávio Bolsonaro, diante das expectativas apontadas pelas pesquisas eleitorais.
Fernandes afirmou que a mudança no cenário eleitoral gerou dúvidas sobre os rumos da política econômica para os próximos quatro anos. Segundo ele, a expectativa de contenção de gastos e de melhora fiscal associada à candidatura do senador influenciou as posições de parte do mercado antes da votação.
O especialista também alertou para os possíveis efeitos de uma política fiscal com gastos elevados e sem controle da dívida pública, cenário que, em sua avaliação, poderia aumentar as pressões inflacionárias.
Bolsa e juros também entram no radar
A reação do mercado não ficou restrita ao câmbio. Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, afirmou que a reeleição de Lula levou investidores a reverem suas expectativas para a economia brasileira.
Na avaliação do especialista, a movimentação refletia a retirada de recursos de ativos brasileiros, com pressão sobre as bolsas, valorização do dólar e alta expressiva dos juros. O comportamento dos investidores também estaria relacionado às incertezas sobre as decisões econômicas do governo reeleito.
A combinação desses movimentos aumenta a atenção sobre a trajetória da dívida pública, as contas do governo e as perspectivas para a inflação. A evolução desses indicadores dependerá, entre outros fatores, das medidas econômicas anunciadas pela administração federal e da resposta do mercado nos próximos pregões.
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