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PT vê tentativa de interferência de Trump nas eleições brasileiras após proposta sobre facções
PT vê tentativa de interferência de Trump nas eleições brasileiras após proposta sobre facções
Proposta dos EUA de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas gera reação no governo Lula e amplia tensão política
Por: Redação
10/03/2026 às 10:03

Foto: Divulgação/Arquivo/Agência Brasil
Integrantes da cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) avaliam que a proposta discutida nos Estados Unidos para classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pode representar uma tentativa de interferência do presidente americano, Donald Trump, nas eleições presidenciais deste ano no Brasil.
A ideia, que tem sido rejeitada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conta com o apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Para dirigentes petistas, a iniciativa poderia fortalecer o discurso político da direita na América Latina em um momento em que vários países da região, como Peru e Colômbia, também se preparam para eleições.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, a possibilidade de uma atuação mais direta de Trump no cenário político brasileiro já vinha sendo considerada. Apesar disso, o diálogo entre os dois governos vinha avançando desde a Assembleia Geral da ONU realizada em setembro do ano passado.
A recente retomada do debate sobre a classificação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas voltou a aumentar a desconfiança dentro do governo brasileiro.
No domingo (8), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre possíveis formas de cooperação internacional no combate ao crime organizado.
O tema também deve ser discutido em um encontro entre Lula e Trump, ainda sem data confirmada. A reunião chegou a ser cogitada para este mês, mas acabou sendo adiada em meio à guerra envolvendo o Irã.
Enquanto tenta preservar o diálogo com Washington, o governo brasileiro busca impedir que as facções sejam classificadas como organizações terroristas. O argumento central do Planalto é que a medida poderia abrir espaço para pressões externas sobre o país e gerar consequências diplomáticas e econômicas.
Em conversas anteriores com Trump, Lula já tratou do combate ao crime organizado e manifestou interesse em ampliar a cooperação internacional na área de segurança.
O tema também ganhou dimensão política no Brasil. Em maio de 2025, o senador Flávio Bolsonaro entregou a uma comitiva americana um dossiê elaborado por secretarias de segurança pública do Rio de Janeiro e de São Paulo que relaciona atividades de facções brasileiras a práticas de terrorismo.
Representantes do governo americano também se reuniram com técnicos do Ministério da Justiça brasileiro, que defenderam que, pela legislação nacional, essas organizações são enquadradas como grupos criminosos, e não como entidades terroristas.
Desde então, o Congresso Nacional aprovou a chamada Lei Antifacção e avança na discussão da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, medidas que o governo federal utiliza como argumento para reforçar que o país possui instrumentos próprios de combate ao crime organizado.
Nesta segunda-feira (9), o presidente do PT, Edinho Silva, voltou a criticar a proposta americana e afirmou que o Brasil não pode aceitar interferência externa em temas de segurança.
“O governo Lula trabalha para acabar com o crime, e atua em aliança com diversos países. Não se deixe levar por respostas simples para problemas que exigem firmeza e inteligência. Você precisa saber a verdade sobre a proposta do Trump em classificar facções criminosas como organizações terroristas. Cuidado, a soberania brasileira não pode ser atacada”, declarou.
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