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PF investiga mensagens entre Daniel Vorcaro e irmão do procurador-geral de Justiça da Bahia

PF investiga mensagens entre Daniel Vorcaro e irmão do procurador-geral de Justiça da Bahia

Diálogos apreendidos pela Polícia Federal apontam tratativas sobre pagamentos ligados à empresa investigada no esquema do RioPrevidência; empresário citado é irmão do chefe do Ministério Público baiano

Por: Redação

01/06/2026 às 08:32

Imagem de PF investiga mensagens entre Daniel Vorcaro e irmão do procurador-geral de Justiça da Bahia

Foto: Divulgação

A Polícia Federal (PF) investiga mensagens trocadas entre o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e Marcelo Maia Souza Marques, irmão do procurador-geral de Justiça da Bahia, Pedro Maia Souza Marques, no âmbito das apurações sobre supostas irregularidades envolvendo aportes do RioPrevidência na instituição financeira. Os diálogos foram extraídos do celular apreendido de Vorcaro e fazem parte da investigação da Operação Compliance Zero.

Segundo os investigadores, Marcelo Maia aparece nas conversas tratando de pagamentos vinculados à empresa Mídias Promotora, apontada pela PF como uma das estruturas utilizadas para operacionalizar repasses ligados ao suposto esquema investigado. De acordo com a investigação, a empresa teria sido usada para distribuir recursos a integrantes envolvidos nas articulações relacionadas ao RioPrevidência.

Nas mensagens interceptadas, Marcelo Maia surge identificado pelo codinome “Marcelo Terra Firme”, referência à empresa Terra Firme, ligada ao empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master e citado nas investigações sobre investimentos do fundo previdenciário estadual em letras financeiras da instituição. Segundo a PF, Augusto Lima teria conexão direta com operações envolvendo os aportes do RioPrevidência.

Um dos diálogos analisados pelos investigadores ocorreu em maio de 2024. Na conversa, Vorcaro pergunta: “Tudo bem? Mídias Promotora, 8 pau?”.

Marcelo responde: “Fala, irmão. Bati com o Félix hoje de manhã. Ele disse que validou na sexta e pediu pra pagar hoje somente. O valor é esse mesmo. Se quiser, posso te ligar pra alinhar [sic]”. A Polícia Federal avalia que o conteúdo sugere interlocução sobre liberação de valores vinculados à empresa investigada.

De acordo com os investigadores, Ricardo Siqueira Rodrigues — apontado como operador político e captador de recursos do Banco Master no Rio de Janeiro — controlaria a Mídias Promotora, embora a empresa estivesse formalmente registrada em nome de terceiros. Segundo dados da Receita Federal citados na apuração, a companhia recebeu aproximadamente R$ 126,6 milhões do Banco Master entre 2023 e 2025. A suspeita é de que a estrutura fosse usada para conferir aparência de legalidade a pagamentos ligados às operações investigadas.

A investigação também menciona conexões empresariais de Marcelo Maia com estruturas relacionadas ao antigo Banco Máxima, posteriormente incorporado ao Banco Master. Segundo informações citadas no inquérito, o empresário registrou os domínios dos sites Credicesta.com.br e Credcesta.com.br, ligados a uma operação surgida após a privatização da antiga estatal baiana Ebal, responsável pela rede Cesta do Povo. Empresas associadas a Augusto Lima assumiram posteriormente a operação, com participação do Banco Máxima.

Além disso, Marcelo Maia divide sociedade na empresa AMF Consultoria e Assessoria LTDA com André Kruschewsky, ex-diretor do Banco Master e primo do ex-procurador-geral de Justiça da Bahia Eugênio Kruschewsky, segundo a reportagem.

Até o momento, não há indicação pública de denúncia formal ou condenação relacionada aos fatos citados, e as apurações seguem em andamento no âmbito da Polícia Federal.

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