Viagem de Flávio aos EUA gera desgaste para Rogério Marinho
Aliados do senador avaliam que agenda internacional fortaleceu ligação com Bolsonaro e reduziu espaço de estratégia considerada mais moderada na pré-campanha
Por: Redação
28/05/2026 às 15:30

Foto: Reprodução/X
A viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos provocou mudanças no ambiente político de sua pré-campanha presidencial e reduziu a influência do senador Rogério Marinho (PL-RN) sobre a estratégia de comunicação e marketing do projeto eleitoral, segundo avaliação de aliados do parlamentar.
De acordo com interlocutores ligados à campanha, a agenda internacional foi interpretada como um fortalecimento da ala bolsonarista mais próxima do ex-presidente Jair Bolsonaro. A leitura interna é de que os encontros realizados nos Estados Unidos reforçaram a conexão direta de Flávio com o bolsonarismo e com lideranças do campo conservador norte-americano, diminuindo espaço para uma estratégia política considerada mais moderada.
Segundo a apuração, Rogério Marinho vinha ampliando influência sobre áreas ligadas ao marketing, comunicação digital e posicionamento político da pré-candidatura. Integrantes próximos a Flávio avaliavam que a campanha estava sendo direcionada para uma linha mais moderada, com aproximação a setores do mercado financeiro e menor dependência do núcleo ideológico bolsonarista.
A reorganização da comunicação da campanha teria intensificado as divergências internas. Após a saída do marqueteiro Marcello Lopes, conhecido como “Marcellão”, o publicitário Eduardo Fischer assumiu espaço na estrutura da campanha, enquanto Alexandre Oltramari passou a coordenar a comunicação política. A mudança foi interpretada por parte do grupo ligado a Flávio como um avanço da influência de Marinho sobre o projeto eleitoral.
O cenário, porém, começou a mudar após a agenda internacional do senador. Flávio participou de encontros articulados pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e pelo empresário Paulo Figueiredo, incluindo reuniões com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o vice-presidente J.D. Vance e com o secretário de Estado Marco Rubio. Para aliados do senador, a agenda reforçou a percepção de que a candidatura permanece vinculada à base política bolsonarista e à interlocução internacional construída em torno do trumpismo.
Entre integrantes do núcleo conservador, há avaliação de que a repercussão da viagem fortaleceu novamente o grupo identificado com o chamado bolsonarismo “raiz” dentro da campanha. Ainda assim, Paulo Figueiredo negou qualquer conflito com Rogério Marinho e afirmou manter contato frequente com o senador. “Falo com Rogério todos os dias”, declarou. “É meu amigo pessoal. Esteve aqui comigo nos EUA não tem nem um mês. Falamos durante a visita e ele estava felicíssimo. Eduardo também tem enorme apreço por ele.”
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