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A quatro dias do tarifaço, Celso Amorim provoca Trump em entrevista ao Financial Times
A quatro dias do tarifaço, Celso Amorim provoca Trump em entrevista ao Financial Times
Por: Redação
28/07/2025 às 17:14

Foto: Divulgação
Faltando apenas quatro dias para a entrada em vigor das tarifas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos contra o Brasil, o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim, elevou o tom contra o presidente norte-americano Donald Trump. Em entrevista concedida à imprensa internacional, Amorim comparou a postura dos EUA com práticas autoritárias e prometeu uma reorientação na política externa brasileira.
Segundo Amorim, a pressão econômica exercida pelos Estados Unidos sobre o Brasil “não tem precedentes nem nos tempos coloniais” e seria motivada não apenas por interesses comerciais, mas por uma tentativa de interferência política. Ele foi ainda mais incisivo ao afirmar que “nem a União Soviética teria agido dessa forma”, numa crítica direta à forma como Washington estaria usando sua influência econômica para proteger aliados, numa referência indireta ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Diante do impasse, o assessor do presidente Lula sinalizou que o governo brasileiro deve reagir com uma guinada diplomática, reforçando os laços com os países do BRICS e buscando maior articulação com Europa, Ásia e América do Sul. Para Amorim, Trump "não tem amigos, apenas desejos", e sua postura revela uma diplomacia unilateralista, guiada por interesses imediatistas e sem coordenação com aliados históricos.
A retórica adotada por Amorim reflete o clima de tensão entre Brasília e Washington. Até agora, o governo brasileiro não obteve sucesso nas tentativas de reverter a decisão norte-americana, que estabelece uma tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros. A medida deve afetar exportações estratégicas e setores industriais relevantes, além de impactar diretamente o agronegócio.
Nos bastidores, diplomatas avaliam que a fala de Amorim pode dificultar ainda mais qualquer reabertura de diálogo com os EUA antes da implementação do tarifaço. Enquanto isso, cresce dentro do Planalto a percepção de que será necessário buscar novos caminhos para garantir a segurança econômica e comercial do país em meio ao redesenho das alianças globais.
O episódio evidencia o desafio do governo Lula em lidar com um cenário internacional instável e politicamente polarizado, onde medidas econômicas se misturam cada vez mais com disputas geopolíticas e ideológicas.
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