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Aliada de Hugo Motta é réu por enriquecimento ilícito e empregada na Câmara com salário de R$ 18 mil
Aliada de Hugo Motta é réu por enriquecimento ilícito e empregada na Câmara com salário de R$ 18 mil
Ivanadja Velloso é acusada de operar conta de funcionário fantasma ligado a Wilson Santiago; nome aparece entre série de escândalos envolvendo assessores do presidente da Câmara
Por: Redação
16/07/2025 às 17:23
● Atualizado em 16/07/2025 às 18:16

Foto: Reprodução/ Hugo Motta/ Facebook
A crise de credibilidade no gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), ganhou mais um capítulo. Uma de suas assessoras de confiança, Ivanadja Velloso Meira Lima, 61 anos, ocupa hoje o cargo de secretária parlamentar — o mais alto entre os comissionados da Casa — com salário de R$ 18.719,88, mesmo sendo ré por improbidade administrativa na Justiça Federal.
Segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Ivanadja teria operado a conta bancária de um funcionário fantasma que recebia salário da Câmara sem jamais ter pisado em Brasília. O caso remonta ao período entre 2005 e 2009, quando Ivanadja era chefe de gabinete do deputado Wilson Santiago, também do Republicanos da Paraíba, um dos principais aliados de Motta.
A ação do MPF acusa Ivanadja de movimentar recursos públicos em nome de Francisco Macena Duarte, lotado como secretário parlamentar de Santiago enquanto trabalhava, na prática, como motorista da Prefeitura de Poço Dantas (PB). O salário na Câmara era pago regularmente, mas Duarte afirmou ao Ministério Público que nunca prestou serviço ao Legislativo, não sabia o valor que recebia e sequer conhecia a capital federal.
Provas documentais e silêncio oficial
A movimentação do dinheiro era feita por Ivanadja com base em uma procuração assinada por Duarte. Em novembro de 2009, por exemplo, foi registrado um saque de R$ 9 mil feito por ela na agência bancária da Câmara dos Deputados, segundo documentos obtidos pela imprensa.
O MPF afirma que “ficou constatado para além de qualquer dúvida razoável” que houve enriquecimento ilícito por meio do uso da estrutura pública para desvio de verba. Apesar disso, Ivanadja segue empregada por Hugo Motta, sem que o parlamentar tenha se manifestado publicamente sobre o caso.
Procurada, a assessoria de Motta manteve silêncio. Ivanadja, por sua vez, declarou apenas que “não tem nada a declarar”. Em sua defesa formal, a servidora nega qualquer irregularidade e afirma que agiu com base na procuração concedida por Duarte. “Não há qualquer comprovação de que esta tenha realizado o mencionado saque, mas mera presunção”, diz trecho da contestação judicial.
Redes de influência e cargos cruzados
O nome de Ivanadja não é o único que levanta suspeitas no entorno do presidente da Câmara. Gabriela Pagidis, apontada como funcionária fantasma por atuar como fisioterapeuta em horário de expediente, também trabalhava para Motta até recentemente, antes de ser exonerada.
Athina Pagidis, mãe de Gabriela, aparece como testemunha de defesa de Ivanadja no processo por improbidade. A ligação entre as famílias e o uso político de cargos comissionados escancara uma teia de favorecimentos que atravessa gestões e gabinetes.
A cada nova denúncia, cresce o contraste entre o discurso institucional de combate à corrupção e a realidade do funcionamento interno do Congresso Nacional — marcada por funcionários fantasmas, nepotismo cruzado e pouca fiscalização efetiva.
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